SÉRIE DA NETFLIX MOSTRA UM DOS MAIORES CRIMES DA HISTÓRIA DO BRASIL

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Já está na Netflix a série documental 3 Tonelada$ – Assalto ao Banco Central, projeto que revisita uma das histórias mais intensas da crônica policial brasileira.

Um dos diferenciais do projeto é a presença de depoimentos, materiais e informações da investigação inéditos ao público. Mais de 30 pessoas foram entrevistadas, entre policiais federais, jornalistas, pesquisadores, procuradores e juízes.

Foram três meses de pesquisa e seis meses para o desenvolvimento do documentário. Durante a pós-produção, que durou cerca de 16 semanas, a equipe absorveu cerca de 95 horas de material captado (75 delas na parte documental e 20 horas de reencenações).

Durante 11 horas, um grupo de 34 criminosos retirou aproximadamente 164 milhões do cofre do Banco Central do Brasil em Fortaleza, no Ceará. O documentário apresenta importantes detalhes da investigação, que resultou na prisão de 99% dos bandidos. De acordo com a Agência Brasil, 40 milhões foram recuperados dos 164 milhões roubados, somando valores em espécie, imóveis e outros bens.

A HISTÓRIA DO DINHEIRO “AMALDIÇOADO”

Conforme apresenta o documentário, houve uma espécie de ‘corrida do ouro’ em relação ao dinheiro roubado. Essa busca, tanto das investigações policiais, como de bandidos interessados nas altas quantias, fez com que o fruto do assalto ganhasse o estigma de “dinheiro maldito”.

“A quantidade de relatos de extorsão e sequestro de ladrões, e seus parentes, chocou o Ministério Público do Ceará. Em alguns casos, alguns bandidos tiveram que fazer vaquinha para ajudar no resgate do companheiro”, conta o diretor e roteirista Daniel Billio. “Segundo alguns relatos, muitos assaltantes se sentiram aliviados quando foram presos, porque não aguentavam mais se esconder e corriam esse risco de sequestro”, completa.

OS NÚMEROS DO ASSALTO

– 34 criminosos envolvidos diretamente no assalto ao banco
– 75 metros de túnel
– Aproximadamente 11 horas de assalto
– 164,5 milhões de reais roubados
– 3,5 toneladas de cédulas de 50 reais não rastreáveis
– Mais de 160 pessoas envolvidas em lavagem de dinheiro nos anos
posteriores ao furto
– 5 anos de investigação
– Mais de 200 policiais federais de diversos estados estiveram envolvidos na
operação ao longo dos anos de investigação
– Ao todo, 129 pessoas foram indiciadas no processo por envolvimento direto no
furto ou por lavagem de dinheiro
– Cerca de 500 testemunhas foram ouvidas
– Nas condenações em 1a instância, as penas somadas chegaram a 2.452 anos
de prisão

HISTÓRIA DO ASSALTO AO BANCO CENTRAL

Em 2005, 34 homens passaram três meses cavando um túnel de 75m, que contava com iluminação, ventilação e até telefone, ligando a sede de uma empresa de grama sintética de fachada ao Banco Central do Brasil em Fortaleza, no Ceará. Em 8 de agosto daquele ano, invadiram o caixa-forte da instituição e saíram de lá com 164,5 milhões de reais – ou 3,5 toneladas de cédulas de 50 reais –, sem que ninguém visse ou ouvisse nada e sem que nenhum tiro fosse disparado. Após uma ação de cerca de 11 horas, deixaram para trás apenas um buraco de 60cm de diâmetro.

Para dar a dimensão dos acontecimentos, a equipe do documentário reconstruiu o túnel em um galpão em Embu das Artes-SP, tal qual o original. Não só as dimensões são praticamente as mesmas – porém com uma lateral aberta para que o interior do túnel pudesse ser filmado – mas também os objetos encontrados pelos peritos lá dentro, como ventiladores, tubulação de ar refrigerado, lâmpadas, garrafas de água e de isotônico, cordas etc. Para isso, a equipe da diretora de arte Jennifer Schauff trabalhou com fotos da perícia feita pela Polícia Federal, cedidas à produção, e depoimentos. Inclusive a maneira como os ladrões escavaram foi descrita em detalhes por dois membros da quadrilha à equipe de pesquisadores do documentário. Momentos fundamentais do caso também foram encenados na série documental, como a prisão dos principais envolvidos, baseados em relatos dos criminosos ou policiais.

(Diego Souza Carlos  – adorocinema.com)

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