MÊS DE ANIVERSÁRIO DE COTIA: ELEVAÇÃO DE COTIA À FREGUESIA

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Antonio Melo, para cotiatododia

Muito se escreveu sobre Cotia – e muito ainda há de se escrever, porque o município faz parte da História do Brasil (com agá maiúsculo) e desempenhou o seu papel na época colonial. Mas é difícil, ao mesmo tempo, escrever qualquer coisa de nova; afinal, historiadores eméritos da história cotiana já abordaram todos os aspectos possíveis. Cito aqui o professor Marcão, Cristina Oka, o historiador João Barcellos e vários outros.

Agora, por ocasião dos 166 anos de sua emancipação político-administrativa, a 2 de abril de 1856

Mas vamos lá. Prefiro transcrever, aqui, um trecho do livro Apontamentos Históricos, Geográficos, Biográficos, Estatísticos e Noticiosos da Província de São Paulo”, coligidos por Manuel Eufrásio de Azevedo Marques (s (ParanaguáPR8 de outubro de 1825 — São PauloSP20 de fevereiro de 1878), historiador e geógrafo, autor de obras importantes sobre a história paulista. O livro foi publicado originalmente em 1879, tendo uma segunda edição em 1952, como contribuição às comemorações do IV Centenário da Fundação de São Paulo.

E na página 210 do livro, sob o verbete CUTIA, encontramos a seguinte descrição sobre o nosso município, mantendo-se a grafia original da época (1952):

“CUTIA – Povoação situada na margem esquerda do ribeirão que lhe dá o nome, a Oeste da capital, em território outrora pertencente a este município (nota: S. Paulo). Primitivamente foi chamada Acutia. Do livro do tombo da paróquia consta que no ano de 1713, para comodidade dos fregueses, foi mudada de lugar deserto para o atual a capela da Senhora do Monte Serrate de Cutia, sendo seu fundador o coronel Estevão Lopes de Camargo e que neste tempo foi canonicamente provida como capela curada pelo bispo do Rio de Janeiro D. Francisco de São Jerônimo, sendo nomeado primitivamente capelão o padre Mateus de Lara de Leão.

O referido livro do tombo não diz o nome do lugar donde fora mudada para o atual, mas por tradição constante sabe-se que a primitiva existiu a 1 légua ou 5,5 quilômetros mais ou menos distante daquela, justamente onde hoje é o sítio do cidadão Antonio Manuel Vieira.

A fundação dessa primeira capela e povoação, refere ainda a tradição, e de alguns dos documentos antigos se colige, é atribuída aos distintos paulistas Fernão Dias Paes e Gaspar de Godói Moreira, os quais, durante algum tempo, pagaram à sua custa o sacerdote que administrava o pasto espiritual, e isto teve lugar de 1640 a 1670.

A segunda capela foi elevada à freguesia no ano de 1723, sendo seu primeiro vigário o padre Salvador Garcia de Pontes, e à vila por lei provincial de 2 de abril de 1856. Dista da capital 6 léguas ou 33,3 quilômetros, e das paróquias com que limita, a saber: da de Santo Amaro 5 e ½ léguas ou 30,5 quilômetro, da de Parnaíba 5 léguas ou 22,2 quilômetros, da de Araçariguama 5 léguas ou 27,7 quilômetros, da de São Roque 4 ½ léguas ou 25 quilômetros, da de Uma 7 léguas ou 38,8 quilômetros e da de Itapecerica 3 léguas ou 16,6 quilômetros.

Suas divisas com o município de Una foram estabelecidas por lei provincial de 1º. de abril de 1865.

Possui uma decente matriz e uma casa de detenção em mau estado. São-lhe sujeitas as capelas de São João de Carapicuíba, do Senhor Bom Jesus de Itaqui, da Senhora de Brotas no Bairro de São João e a da Senhora da Penha.

A população é de 5.024 almas, sendo 504 escravos; eleitores em 1876- 12; fogos 112. A lavoura consiste em cereais.

Tem duas cadeiras de instrução pública primária para ambos os sexos.

As rendas geral e provincial são arrecadadas por uma agência da coletoria da capital, e por isso vão englobadas nas deste município. A receita municipal do ano de 1869-1870 foi de 800$000”.

(Continua)

A IGREJA MATRIZ DE COTIA: 310 ANOS

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