PLANOS DE SAÚDE PODEM TER O MAIOR REAJUSTE EM DUAS DÉCADAS

Para o Instituto de Defesa do Consumidor, as altas não se justificam
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Os planos de saúde deverão ter reajuste a ser anunciado ainda este mês – e de acordo com especialistas, a correção deve ficar entre 15% e 18,2%, superando o recorde de 13,57% de 2016. Se realmente ocorrer nesse patamar, será o maior reajuste já determinado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde que passou a regular o setor em 2000. O aumento começa a valer em maio e é aplicado no aniversário de contrato do cliente.

Em 2021, houve redução de 8,19% nos planos individuais, já que o uso dos serviços médicos diminuiu como efeito da pandemia. 

As estimativas vão de reajustes de 15% (Banco BTG Pactual) a 16,3% (ABRAMGE – Associação Brasileira de Planos de Saúde) e a 18,2% (Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS).

No entanto, o IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) entende que as projeções do mercado não refletem dados de utilização dos planos de saúde pelos usuários, a chamada sinistralidade (percentual que representa o custo de prestação de assistência sobre o total arrecadado), medida pela própria ANS.

Em junho de 2021, a agência publicou um estudo que mostrou que a sinistralidade do primeiro trimestre de 2021 permaneceu inferior ao observado no mesmo período de 2019, de 75% a 77%. O índice aumentou no segundo trimestre, chegando a 82%, mas ainda em patamar similar ao período pré-pandemia, também de 82%.

— Os percentuais projetados não fazem sentido, não condizem com a realidade e contradizem as informações divulgadas pela própria ANS. A variação de despesas médicas aumentou, mas não atingiu patamares anteriores à pandemia. O reajuste deste ano não pode servir para recuperar a redução que houve no ano passado. É preciso analisar o comportamento dos custos e fazer a projeção — afirma Ana Carolina, do Idec, em entrevista ao jornal O Globo.

MAIS CLIENTES, MAIS AUMENTO

O reajuste será aplicado apesar do crescimento de mais 1.459.000 no número de beneficiários dos planos de saúde, 3,06% a mais do que em fevereiro de 2021, totalizando, hoje, 49 milhões de usuários – 8,9 milhões são de planos individuais e o restante são de planos empresariais.

Nos empresariais e coletivos por adesão, o reajuste é negociado livremente, sem obedecer o teto fixado pela ANS. 

O aumento se dará pouco tempo após o reajuste de 10,89% nos medicamentos, autorizado pelo Governo Federal.

Foto: Agência Brasil

 

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