DIA DO ÍNDIO: ORIGEM DE COTIA ESTÁ LIGADA AO APRESAMENTO DE ÍNDIOS

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Antonio Melo, para o Cotiatododia

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Cotia tem sua origem ligada ao apresamento de índios. A princípio, era um polo de produção de trigo com grande mão de obra indígena, fornecendo tanto para a Capital como para o Rio de Janeiro (século XVI/XVII).

Ainda de acordo com o IBGE, o cotidiano das famílias bandeirantes ocorria mesmo nas fazendas no entorno da vila – sendo também pontos de partida rumo ao sertão; no começo do século XVII (anos 1600), havia muitos litígios entre colonos e moradores de cotia, em disputas pela posse de terras e indígenas.

Grande parte dos indígenas então notada na região de Cotia era proveniente do sul do país, pois eram aprisionados pelas bandeiras; grande parte dos proprietários de nossa região participou com Raposo Tavares à bandeira do Guairá.

Em 1679, Cotia era um lugar que incluía Carapicuíba e Embu, excluindo as duas propriedades que pertenciam aos jesuítas (Aldeia de Carapicuíba e Aldeia de São João). Quem fundava as capelas e propriedades rurais eram os grandes captores de índios.
Por Cotia atravessavam antigas trilhas indígenas aproveitadas pelos bandeirantes, como o Caminho do Peabiru, e a trilha que ligava as Aldeias de M’Boy à Baroeri. Nomes como Fernão Dias Paes, Antônio Bicudo, Godói Moreira, Gonçalo Lopes, Paschoal Moreira Cabral, Belchior Borba Gato, entre outros, possuíam terras na região.
Diferentes versões convergem para o nome da cidade; considerações em torno do tupi Akuti, Kuti, com significado de morada, a casa; Kutia significaria ainda ponto de encontro (por sua localização estratégica no encontro de trilhas indígenas); ainda foi apontada a versão em tupi indicando barco, canoa, pois Cotia sempre foi uma região pontuada por rios, riachos e ribeirões. No entanto, a versão mais lembrada para a origem do nome advém dos mamíferos roedores de mesmo nome, as kutis, considerados animais de estimação pelos indígenas. 

Quando os padres vieram catequizar os índios, espantavam–se ao ver as kutis acompanhando os índios para as roças, seguindo–os como se domesticadas fossem. Os caminhos que as kutis percorriam formavam sinuosas trilhas na mata, e nossa cidade teria ficado conhecida como região onde viviam as kutis (que até hoje podem ser encontradas em fragmentos florestais da cidade, como a Reserva Florestal do Morro Grande). IBGE | [email protected] | São Paulo | Cotia | História & Fotos.

O historiador João Barcellos, em seu livro Cotia, Uma História do Brasil, 3ª. edição, dá verdadeira aula sobre os indígenas em Cotia. Relata que, em 1580, o capitão Jeronymo Leitao idealiza e executa a “sesmaria dos índios do Pinheiros e Uraray –(Barueri)”, para deixar as propriedades dos grandes colonos e dos jesuítas e, muito particularmente, de Affonso Sardinha, o Velho, a salvo das investidas dos espanhóis.

O historiador explica que “A denominação “sesmaria dos índios…” é, aqui, um mero detalhe do jogo colonial nas suas canetadas administrativas. O vasto território demarcado alcançou os objetivos coloniais: colocar sob jurisdição reinol as aldeias nativas [M´Baroery, Koty, Carapochuyba, Ibituruna, Jandira, Itapevi, Itapecerica, Ururay, Pinheiros, etc., etc.] que interessavam, também, aos “senhores da terra”.

Mais adiante, Barcellos afirma que “Caucaia era tida, antigamente, como terra de índios, segundo as crônicas do Séc 17; e é serra que se estende aos municípios de Itapecerica da Serra, Ibiúna e Cotia, sendo (…) prolongamento da Serra da Queixada (…), sistema orográfico da Serra do Mar, como consta da Enciclopêdia Universal Brasileira (Vol.1, III, DCL/1980-SP).”

Mais: “A Aldeia de Caucaia foi, assim, um dos pontos avançados da boca-de-certam assente na Acutia (do guarani Koty = ponto de encontro / casa) pelos nativos Carijó – e, por isso, denominada de terra de índios por bandeirantes e por sertanejos”.

O historiador cita entrevista com Mikio Ueki, proprietário de terras onde se situa a casa denominada por Barcellos de “Casa da Cachoeira” e que define bem o destino dos milhares de indígenas então existentes nesta região:

“Na opinião de Mikio Ueki, na época do seu pai, ainda era difícil comprar terras na região entre Morro Grande, Vargem Grande e Caucaia do Alto, porque muitas eram tidas como ´terras de índios´, e só pela ocupação e usucapião [tomada de posse por ocupação contínua e mansa], e às vezes pelo escambo [troca de bens entre interessados], embora ´de índios´ só se tenha notícia, hoje, pelo forte traço nativo das pessoas de pele morena e cabelos pretos e fortes, das regiões citadas, nascidas da miscigenação com o europeu colonizador”.

A ligação de Cotia com os indígenas, portanto, é muito forte. Mas, como afirmado acima, “índios”, hoje, só se tem traços em alguns habitantes. (“Indios”, segundo o historiador, é uma denominação errada dada pelos descobridores da América, que pensavam ter chegado às Índias em 1492”.

Uma pena que uma história tão rica como é de Cotia, que remonta ao século do descobrimento e cujos moradores tanto contribuíram para o desenvolvimento do país, não faça parte de um Museu Municipal. 

Indígenas brasileiros – Jean Baptiste Debret

 

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