FAKE NEWS SOBRE MASSACRE EM ESCOLAS VIRA ONDA E DEIXA TODOS EM ALERTA

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Onda de fake news sobre massacre deixa escolas, famílias e polícia em alerta; alunos picham ameaças e as publicam em redes sociais, aterrorizando pais e forçando investigação da polícia

As fake news são um perigo em todos os setores, não apenas na política. Aqui no Brasil, surgiu agora uma onda de fakes, desde o começo de abril, assustando pais, professores e alunos em todo país, mobilizando o país e o poder público.

Conforme matéria publicada na Folha de S. Paulo, o padrão é sempre o mesmo: o aluno  picha em algum lugar da escola, normalmente no banheiro: “Massacre dia X”. A maioria tira foto, apaga a frase e depois publica nas redes sociais ou distribui em grupos de WhatsApp, usualmente em um perfil anônimo.

A veiculação da mensagem acaba por chegar aos pais e à escola, provocando um clima de apreensão. Por precaução, os colégios acabam fazendo um boletim de ocorrência, deixando a investigação a cargo das forças públicas.

Na maioria das vezes não é possível identificar o pichador e o caso fica sem solução. Nem mesmo as câmeras de segurança ajudam, uma vez que é proibido colocar monitoramento nos banheiros. Já em casos em que os responsáveis foram descobertos, todos deram a mesma explicação: uma brincadeira para assustar a comunidade escolar.

Essa onda de fake news a respeito de massacres em escolas surgiu nos Estados Unidos, em dezembro passado, quando grupos passaram a divulgar essas mensagens pelo aplicativo TikTok. Lá, no entanto, são comuns esses atos de violência, como o ocorrido recentemente em uma escola em Uvalde, no Texas, quando um jovem de 18 anos matou a tiros ao menos 19 crianças e 2 adultos.

Em dezembro, muitas escolas americanas cancelaram suas aulas após ameaças, principalmente as de cidades do interior do país, e a polícia aumentou seu efetivo. O TikTok chegou a divulgar uma nota afirmando que trabalha para identificar fake news e mensagens ofensivas.

No Brasil, o caso que mais deixou os pais e os funcionários dos colégios preocupados se deu na Escola Estadual Professor Manoel Abreu, em Linhares (ES). Dois adolescentes, de 13 e 15 anos, postaram em grupos de WhatsApp a ameaça ao colégio. Um deles chegou a publicar uma foto de um revólver que, segundo a polícia, seria do irmão dele.

Os alunos prestaram depoimento na delegacia, juntamente com seus responsáveis e representantes do Conselho Tutelar. “Com todo o procedimento de investigação das polícias civil e militar, os dois alunos foram identificados e falaram que postaram as ameaças em contexto de brincadeira”, conta o diretor Jean Carlos Borghi de Andrade, 30, revelando que a punição dos dois foi a transferência compulsória para outro colégio.

Para tentar coibir novos casos, Andrade diz que a escola passou a controlar o uso de celulares pelos estudantes em suas dependências.

Outro colégio que identificou os estudantes foi o Nossa Senhora das Graças, o Gracinha, do Itaim Bibi, zona sul da capital paulista. Segundo o diretor Wagner Cafagni Borja, 59, quatro alunos foram identificados e alegaram estar seguindo um desafio de um grupo do Tiktok, de como parar sua escola por um dia.

“Os estudantes foram punidos de acordo com nosso regimento. Foram suspensos por quatro dias, durante os quais fizeram três encontros com a direção/orientação, dois dos quais na presença das famílias, e estão produzindo um trabalho sobre a questão das mídias sociais e o comportamento das massas”, conta Borja.

Como os responsáveis foram localizados e punidos, o colégio não chegou a fazer boletim de ocorrência.

No Colégio Universitário USCS, de São Caetano do Sul (SP), a pichação foi na porta de um dos banheiros da universidade, a que os alunos do colégio têm acesso. Por isso, até mesmo alunos de graduação pediram para que as aulas fossem suspensas, o que não aconteceu.

O termo ‘massacre’, escrito na parede de um dos banheiros (apesar da compreensível aflição causada junto à comunidade acadêmica) mostrou-se ser apenas isso: uma pichação de banheiro”, diz o colégio em nota à reportagem.

Pichação na porta de banheiro de colégio de Santo André, no ABC paulista – Reprodução

Casos semelhantes ocorreram em  Primavera do Leste (MT), a 234 km de Cuiabá, onde uma estudante de 12 anos criou um perfil falso no Instagram para disseminar as mensagens de massacre no colégio particular San Petrus. Mas foi identificada, localizada e conduzida à delegacia, onde alegou ser brincadeira.

Em Passos, MG, o prefeito Diego Rodrigues de Oliveira (PSL) foi às redes sociais explicar o ocorrido e explicar que era fake news uma pichação numa escola pública.

Em Atibaia, SP, a Secretaria de Segurança Pública municipal divulgou comunicado sobre o assunto.

TERROR E ACIONAMENTO DAS FORÇAS INDEVIDAMENTE

Segundo os órgãos de segurança pública, um dos maiores problemas desse tipo de fake news, além do terror que provoca na comunidade, é a necessidade de deslocamento de grande aparato policial para a investigação, tirando as forças de outras ações.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em nota, diz que todas as denúncias são investigadas e o trabalho de campo dos policiais tem constatado a improcedência das ameaças. O órgão destaca que esse tipo de fake news é crime.

“Os responsáveis por denúncias falsas às polícias podem responder por ato infracional, se o autor for menor de idade, ou crime de ameaça, caso alguém se sinta lesado e resolva representá-lo”, diz ainda a nota.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, por sua vez, afirma que atua em parceria com os órgãos de segurança pública em todo estado “para a conscientização das comunidades escolares em relação à proliferação deste tipo de conteúdo”.

“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo conta com o Gabinete Integrado de Segurança e Proteção Escolar (Gispec), que realiza estudos sobre a violência na área de segurança das escolas e o planejamento de estratégias, e monitora diariamente as escolas”, diz a pasta.

Ameaça em Santa Catarina – Reprodução

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