CONSUMO: OS NOVOS HÁBITOS E A XEPA, AGORA DIGITAL

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Inflação traz novas soluções, como a comercialização de produtos com validade prestes a expirar; empresas desenvolvem aplicativos para facilitar o encontro e compra desses produtos, que devem ser cuidadosamente avaliado antes da compra.

A necessidade é a mãe da invenção – essa frase atribuída ao filósofo Platão cabe nesta quadra em que vive o Brasil, com inflação chegando a 13,51% em 12 meses (fechados em maio) – e por causa da inflação novos negócios surgem, garantindo preços até 70% mais baixos para produtos com validade prestes a expirar.

Daí a surgirem aplicativos desenvolvidos por start-ups, foi um pulo. Tais aplicativos proporcionam uma diminuição no desperdício de alimentos e nas perdas das empresas e beneficiam o consumidor que chega a economizar mais de 60% nas compras,. 

Assim, donas de casa que gastavam quase 2 mil reais em comida, reduziu o gasto para R$ 700. Essa promoção sempre foi feita no varejo tradicional. O que está mudando agora é que, com o uso de aplicativos específicos, as ofertas vão rapidamente até os consumidores.

 Depoimentos de consumidores revelam que realmente a compra, pessoal ou por aplicativo, de produtos próximos ao vencimentos, reduz em até 40% o gasto com compras essenciais.

O aplicativo Super Opça, criado como projeto de faculdade por Luis Borba, cresceu 400% de 2021 para 2011 em downloads e faturamento, fazendo a conexão direta entre distribuidor  e consumidor.

O Super Opa inaugurou um centro de distribuição em Campinas, que serve como ponto de recebimento de grandes cargas da indústria. As mercadorias ou vão para casa do cliente com frete no valor único de R$ 13,99 ou eles buscam as compras em pontos de retiradas— explica Borba, CEO do Super Opa.

Já a start-up Food To Save tem como principal estratégia intermediar produtos com validade próxima do vencimento entre o comércio e o cliente final. São sacolas surpresas com pães, chocolates, pizza, com descontos de até 70%. Em 2021, a empresa cresceu 300%. Já negociou 150 mil sacolas e movimentou mais de R$ 1,8 milhão.

Para que a economia de fato vingue, o consumidor não pode cair na tentação de comprar itens demais ou produtos mais caros por causa do desconto – afinal, os produtos estão perto do vencimento e a compra exagerada corrói a economia.

CUIDADOS AO COMPRAR

Fabio Portela, que  é também coordenador da pós-graduação de controle de qualidade e alimentos do Instituto de Desenvolvimento Educacional (Idea)  aponta que muitas hortaliças considerados próprias para consumo pela maioria das pessoas, na verdade, não estão.

Na hora de escolher e armazenar os alimentos é preciso estar atento a alguns sinais, como buracos e fissuras, que podem contaminar todo o vegetal.

Quando se compra uma hortaliça como cenoura, batata ou pimentão, que possui uma fissura ou buraco, uma prática comum é de cortar apenas aquela parte e utilizar o resto do alimento. Essa ação, no entanto, pode ser perigosa à saúde, assim como outras bem comuns.

“Essa ferida permite a entrada de micro-organismos, fungos e bactérias, que podem contaminar toda a hortaliça. Como passou muito tempo aqui, tudo que é micro-organismo que está aqui no ar pode ter caído e contaminado essa hortaliça. Apesar de ser a prática, não é o correto. Você não sabe como está o ambiente interno. Aí você acaba consumindo algo que está contaminado”, afirma o biólogo.

Já o alface e outras hortaliças folhosas costumam apresentar pequenas bolinhas pretas, que na verdade não fazem mal a saúde. “Pontos pretos são normais do alface. Às vezes pode ser pontos de deficiência de alguns metais e minerais, mas em geral é o próprio aspecto do vegetal normal. Isso não é nenhum problema”, afirma Portela.

Na hora de escolher hortaliças folhosas, é preciso prestar atenção em alguns pontos que indicam que o vegetal está saldável, como a coloração esverdeada, a hidratação das folhas e a ausência de folhas secas.

De acordo com Portela, os vegetais com mais facilidade de apodrecerem rapidamente são os que possuem muita água ou muito açúcar, como maçã, caqui, tomate, beterraba, inhame, macaxeira e batata doce.

“Frutas em geral são vegetais que estragam fáceis. Porque quanto mais água, mais atividades de micro-organismos. E também vegetais muito doces. Como tem muito açúcar, a contaminação é mais fácil, principalmente se houve uma fissura ou uma queda“, explica o biológo.

Outra prática comum que não faz bem é descongelar a carne e congelar novamente. Segundo Portela, essa ação pode deixar o produto estragado. Isso porque, a carne solta água quando é descongelada e, se for congelada novamente, a água fica cristalizada dentro do alimento.

“Então a gente tem aquela carne que por fora está toda amolecida, mas por dentro está com aqueles cristais de gelo que não estão por fora. Indica que ele descongelou, passou um tempo descongelada e você recongelou. Não pode, é bom evitar. Quanto mais tempo ele passou descongelado, maior a chance de haver proliferação de algum micro-organismo ali”, explica Portela.

Já a ideia da Disco Xepa, que começou em maio em S. Paulo, coleta a xepa na feira e a traz para o local de venda; segundo a divulgação, “o plano é o  seguinte: ocupar um espaço público, ir coletar a “xepa” na feira. Trazer a xepa pro beco, na rua. Daí montar uma cozinha, ligar o som, cozinhar e fazer uma festa!”

O evento, que terminou em 17 de maio, tem como objetivo alertar sobre o desperdício de alimentos. A Disco Xepa é uma ação do movimento Slow Food (contraposição a fast food) no mundo todo, para conscientização quanto ao imenso desperdício de alimentos. Segundo o vídeo, atualmente, no Brasil – o 4º maior produtor mundial de alimentos –, 26,3 milhões de toneladas de alimentos vão para o lixo por ano. “Ou seja, 39 mil toneladas são desperdiçadas diariamente, o que daria para alimentar 19 milhões de pessoas”, diz Fabiana Sanches, uma das organizadoras do evento no Brasil.

 

(com conteúdo de mixvale.com.br)

Folder de divulgação da Disco Xepa com vários alimentos descartados da feira e totalmente possíveis de serem bem aproveitados.

 

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