VARÍOLA DOS MACACOS: COMITÊ DA OMS DECIDIRÁ SE DOENÇA É EMERGÊNCIA GLOBAL

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O risco de propagação da varíola dos macacos na Europa é considerado “alto” no momento, enquanto no resto do mundo “moderado”. Apesar de causar sintomas leves na maioria dos casos, a propagação é considerada incomum e preocupante pelos especialistas.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Gebreyesus, declarou nesta terça-feira (14) que o Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional foi convocado para debater se a varíola dos macacos será classificada como emergência de saúde pública de interesse internacional. Atualmente, apenas a COVID-19 e a poliomielite estão dentro desta classificação.

Os especialistas do comitê se reunirão em 23 de junho para fazer esta avaliação uma vez que, somente neste ano, a varíola dos macacos já contaminou 1,6 mil pessoas em 39 países e é a principal suspeita em outros 1,5 mil casos cujos diagnósticos ainda estão em investigação.

Chama a atenção o fato de que dos 39 países onde a doença foi detectada este ano, apenas sete eram considerados endêmicos. Nestes sete países, 72 mortes por varíola dos macacos foram registradas previamente. Neste novo surto não houve nenhuma confirmação de morte em nações recém-afetadas, apesar da OMS ter informado que está investigando um óbito suspeito no Brasil.

“O surto global de varíola dos macacos é claramente incomum e preocupante”, disse o diretor da OMS ao anunciar a convocação do comitê e pedir por uma intensificação da resposta internacional à doença.

O diretor-geral assistente de resposta a emergências da OMS, Ibrahima Socé Fall, também explicou na mesma ocasião que o risco de propagação na Europa é considerado “alto” no momento, enquanto no resto do mundo “moderado”. Ele reforçou que ainda existem lacunas de conhecimento sobre como o vírus está sendo transmitido. “Não queremos esperar até que a situação esteja fora de controle”, disse ao endossar o pedido de intensificação de resposta ao vírus.

Detecção e controle – A OMS também publicou recomendações para governos sobre detecção e controle de casos de varíola. Em uma coletiva de imprensa em Genebra, a especialista em varíola da OMS, Rosamund Lewis, disse que é crucial conscientizar a população sobre o nível de risco e explicar as recomendações para evitar infectar contatos próximos e familiares.

Ela frisou que, embora a doença às vezes produza apenas sintomas leves como lesões na pele, ela pode ser contagiosa por duas a quatro semanas. “Sabemos que é muito difícil as pessoas se isolarem por tanto tempo , mas é muito importante proteger os outros. Na maioria dos casos, as pessoas podem se auto-isolar em casa e não há necessidade de estar no hospital”, acrescentou.

A varíola dos macacos é transmitida através do contato físico próximo com alguém que apresenta sintomas. A erupção cutânea, fluidos e crostas são especialmente infecciosas. Roupas, roupas de cama, toalhas ou objetos, como talheres ou pratos contaminados com o vírus, também podem infectar outras pessoas.

No entanto, segundo informou a especialista, ainda não está claro se as pessoas que não apresentam sintomas podem espalhar a doença ou não.

Vacinação – Outro ponto abordado pela agência da ONU foram as novas diretrizes de vacinação contra a varíola dos macacos. Embora alguns países tenham estocado estrategicamente vacinas mais antigas contra a varíola comum – um vírus erradicado em 1980 – essas vacinas de primeira geração não são recomendadas para varíola dos macacos no momento, porque não atendem aos padrões atuais de segurança e fabricação.

Legenda: O vírus da varíola dos macacos causa uma infecção rara, cujo principal sintoma é presença de lesões em toda a pele.

Foto: © Maurizio de Angelis/Science Photo Library.

 

 

 

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