“SOMOS RESPONSÁVEIS PELOS PROBLEMAS NOS OCEANOS E PRECISAMOS FORNECER SOLUÇÕES” 

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Declaração é do secretário-geral das Nações Unidas; António Guterres abriu em Lisboa, ontem, 27 de junho, a Conferência dos Oceanos da ONU, organizada por Portugal e Quênia; governos, sociedade civil e setor privado unidos durante uma semana para apresentar ações que levam ao fim da poluição, da sobrepesca e do branqueamento dos corais. 

Delegações de mais de 130 países estão na capital de Portugal, Lisboa, para participar durante toda a semana da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas. Além dos governos, representantes da ONU, da sociedade civil, do setor privado e cientistas estarão unidos por uma causa comum: reverter os danos causados nos oceanos e na vida marinha. 

Antes da abertura do encontro de alto-nível, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que nós, seres humanos, “somos os responsáveis pelos problemas dos oceanos, como poluição, pesca excessiva e branqueamento dos corais”.  

Guterres quer soluções para todos esses problemas e segundo ele, a Conferência dos Oceanos é uma oportunidade para “mostrar compromisso real com uma economia azul sustentável”.  

LIXO PLÁSTICO  

Segundo a ONU, os oceanos cobrem 70% da superfície da Terra e concentram “cerca de 80% de toda a vida terrestre”, além de “gerar 50% do oxigênio que necessitamos e absorverem 25% de todas as emissões de dióxido de carbono”. 

Em retribuição, os seres humanos depositam, por ano, mais de 11 milhões de toneladas de plásticos nos oceanos, como destaca o ministro da Economia e do Mar de Portugal. 

Além da poluição dos mares, a pesca excessiva é um problema que precisa ser combatido em todos os continentes. O ministro do Mar de Cabo Verde afirmou que “O principal poluidor dos oceanos é a grande indústria das pescas. Se as Nações Unidas fugirem desse aspeto e se os grandes países fugirem desse aspeto, temos um problema. Quem mais polui com redes de plástico, quem mais estraga os oceanos com o depósito em alto mar de grandes quantidades de combustíveis, de lixo produzido pelos navios industriais, é a indústria da pesca. Se fugirmos disso nesta cimeira, estamos a ser pouco sérios.” 

O ministro lembra que o arquipélago de Cabo Verde depende totalmente do mar. O país deve apresentar no encontro um plano para garantir a sustentabilidade da pesca.  

Até sexta-feira, último dia do encontro, os países-membros das Nações Unidas assinarão uma declaração com uma série de medidas que deverão ser tomadas para reverter a degradação dos oceanos.  

 António Guterres pede que acordo global que será negociado em Lisboa envolva investimentos na economia azul, redução de todo o tipo de poluição marinha, investimentos em infraestruturas costeiras e mapeamento de 80% do fundo do mar.

MUDAR A MARÉ

António Guterres lamentou que o oceano não foi valorizado e atualmente, o mundo enfrenta o que ele chama de “Emergência Oceânica”. Para isso, é preciso “mudar a maré”, uma vez que “o aquecimento global está levando as temperaturas do oceano a níveis recorde, criando tempestades mais frequentes e mais fortes”.

O secretário-geral citou vários problemas: aumento do nível do mar, acidificação dos oceanos, branqueamento dos corais, degradação de manguezais e poluição. Guterres afirmou que “quase 80% das águas residuais são descartadas no mar sem tratamento” e por ano, “8 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos”.

O chefe da ONU  mencionou também o problema da pesca excessiva, que está “acabando com os estoques de peixes” e fez um apelo aos governos, ao lembrar “não ser possível ter um planeta saudável sem um oceano saudável”.

TRATADO SENDO NEGOCIADO EM LISBOA

Ao lembrar que o oceano produz mais da metade do oxigênio que respiramos, além de ser fonte de renda para mais de 1 bilhão de pessoas, António Guterres fez quatro recomendações aos países-membros da ONU:

Primeira, que o novo tratado tenha como meta o investimento na economia azul para os setores de alimentação e de energias renováveis; o manejo sustentável dos oceanos tem o potencial de aumentar em seis vezes produção de alimentos que vêm do mar e gerar 40 vezes mais energia renovável.

Segunda, é para a prevenção e redução de todos os tipos de poluição marinha.

O terceiro ponto apresentado por Guterres envolve a proteção dos oceanos e das pessoas que dependem deles, com investimentos em infraestrutura costeira e compromisso do setor naval para emissões zero de CO2 até 2050.

A quarta proposta do chefe da ONU é para que toda a comunidade global participe do mapeamento de 80% do fundo do mar até 2030. 

O secretário-geral da ONU terminou seu discurso com uma saudação em Kiswahili, dizendo que “o oceano nos leva a qualquer lado.”

Moradores do Quênia retiram lixo do oceano – ONU Meio Ambiente/Cyril Villemain

Limpeza em praia de Ubatuba, SP

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