DESMATAMENTO AUMENTA E AUMENTA ESPÉCIES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO; FALTA DE FISCALIZAÇÃO É PRINCIPAL CAUSA

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Entre 2014 e 2022, houve crescimento de 52% no número de espécies de flora que correm o risco de desaparecer dos biomas brasileiros; 76 animais entraram para a lista de risco. Mas há que se fiscalizar, também, os pequenos remanescentes de mata urbana, que da noite para o dia somem para dar lugar a empreendimentos imobiliários, deslocando a fauna de seu habitat natural.

Os impactos diretos do aumento de desmatamento nos últimos anos já se fazem sentir. A recente atualização da lista que trata de animais, plantas e árvores ameaçadas de extinção no país, divulgada em junho, indica que houve um crescimento de 52% no número de espécies de flora que correm o risco de desaparecer dos biomas brasileiros. O aumento leva em consideração o período entre 2014, último ano em que houve publicação da listagem, e 2022. 

Em relação à fauna, o salto no período foi menor, de 7%, mas representando 76 espécies que têm a existência colocada em xeque. Se analisados os dados de desmatamento na região da Amazônia, entre 2014 e 2021, a área total que foi ilegalmente suprimida subiu 160% no Brasil, conforme o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). 

Em 2014, o índice foi de 5.012 km², enquanto ao final de 2021 chegou a 13.038 km² – perímetro que supera em quase nove vezes o território da cidade de São Paulo. Somente entre janeiro e maio deste ano, o desmate já consumiu 3.360 km², mostra um levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Já nas regiões de Mata Atlântica, a devastação cresceu 17% ao final de 2021, se comparado com 2014, e chegou a 21 mil hectares – o maior índice desde 2015. 

O desmate  pode ocorrer sob ação das motosserras, mas também por queimadas – infração essa que é mais comum no segundo semestre no período de estiagem – e o desmatamento interfere diretamente no aumento dos números de espécies em extinção no Brasil. 

O motivo: a perda do habitat natural das espécies. Segundo especialistas, a retirada de uma única árvore pode levar à extinção natural das espécies; além disso, o corte de árvores pode desequilibrar a umidade, temperatura e iluminação em áreas florestais habitadas por grupos de animais ou por espécimes da flora. As mais impactadas são as espécies raras ou que têm núcleos menores. 

As espécies não sobrevivem quando se transforma uma área de floresta em pasto. Por isso, segundo análise da lista divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, entre as espécies de fauna mais ameaçadas estão grupos de borboletas e mariposas, anfíbios, répteis, aves e peixes de água doce. Já na flora, há plantas como um gênero de bromélia – o Dyckia distachya – que é endêmico de Mata Atlântica, e árvores como o amarelão, que tem origem Amazônica, e o capim-rabo-de-raposa. 

CAUSAS: FALTA DE FISCALIZAÇÃO

Houve corte de gastos em fiscalização ambiental. Segundo a ONG Contas Abertas feito em parceria com a WWF-Brasil aponta que em 2013 o orçamento do Ministério do Meio Ambiente foi de R$ 5 bilhões, mas foi reduzido a R$ 3,6 bilhões em 2014, patamar em que permaneceu até 2017, quando atingiu R$ 3,7 bilhões. 

Em 2018, conforme o Portal da Transparência do órgão, a receita foi ainda menor, de R$ 2,9 bilhões. O empenho financeiro chegou a aumentar em 2019, chegando em R$ 3,66 bilhões, mas foi rebaixado a R$ 2,98 em 2021. Neste ano, a verba prevista pela pasta ambiental é de R$ 3,61 bilhões. 

Queimadas atingem 90% das espécies

Pesquisa feita pela Universidade do Arizonas, nos EUA, com participação do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG entre 2019 e 2021 com 11.514 espécies de plantas e 3.079 espécies de animais vertebrados, entre aves e mamíferos, foi verificado que 90% das espécies foram atingidas por queimadas que atingiram a Amazônia. 

O estudo foi feito considerando toda a extensão da Bacia Amazônia, levando em consideração um período de 20 anos. As queimadas estão acima da média histórica recente do país.

NOS MUNICÍPIOS

Mas ao se falar em meio ambiente e desmatamento, não se fala apenas em Amazonas ou Mato Grosso, onde as alterações estão à vista de todos e há uma fiscalização por parte dos países do mundo todo, já que a Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo.

O desmatamento acontece, também, nas cidades – desde as pequenas, com lavouras de subsistência e criação de gado, até as médias e grandes – onde o desmatamento dá lugar a chácaras de lazer, prédios e condomínios.

Nota-se os efeitos do desmatamento quando se percebe a invasão nas residências de espécies deslocadas de seu habitat natural – cobras, lagartos, saruês, por exemplo – e ao sumiço de pássaros.

Cotia é privilegiada, já que tem praticamente metade de seu território coberto por Mata Atlântica (Reserva do Morro Grande) além da floresta urbana composta pelo CEMUCAM e pequenos trechos de mata – atlântica – em áreas ainda não atingidas pela especulação imobiliária.

Mas há que fiscalizar – e para isso a população pode ajudar, e muito, denunciando desmate, por menor que seja, às autoridades ambientais ou ao Ministério Público. As nossas ações de hoje refletirão diretamente no futuro de filhos e netos e se as suas condições de vida serão iguais, melhores ou piores do que as nossas.

 

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