LITERATURA: FIQUE POR DENTRO DAS NOVIDADES EM LIVROS

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Folha noticia a descoberta de uma publicação em jornal feita por Machado aos 19 anos, projeto de um livro que nunca lançou; Globo fala de coletânea com textos de Luiz Carlos Maciel, estrela da contracultura no Pasquim

A notícia literária do fim de semana que mais surpreendeu acadêmicos foi divulgada na coluna Painel das Letras, na Folha: a descoberta de um texto inédito de Machado de Assis (1839-1908). Quem encontrou foi o pesquisador Fernando Borsato, que cursa doutorado em Literatura Brasileira na USP sob orientação de Hélio de Seixas Guimarães, um dos maiores estudioso do escritor no país. O texto de outubro de 1858, quando Machado tinha 19 anos, foi publicado no jornal Correio da Tarde e seria o primeiro de um projeto de livro nunca lançado pela autor, A lanterna de Diógenes.

Folha trouxe também resenha de Paixão segundo Mateus, de Carlos Heitor Cony (1926-2018). A Nova Fronteira edita em um único volume póstumo duas obras que o autor deixou inacabadas, a que dá nome o livro e Mesa pro Papa Marcello. Nelas, as crises de consciência, as inquietações religiosas e a possibilidade do diálogo com Deus são de novo matéria de memória e ficção do escritor, que foi seminarista.

O caderno Ilustríssima publicou uma entrevista com Evanildo Bechara, um dos maiores gramáticos brasileiros, referência no estudo da língua portuguesa não só no Brasil como em vários outros países. Aos 94 anos, ele acaba de doar ao Real Gabinete Português de Leitura sua biblioteca de mais 20 mil volumes, um acervo de obras de filologia, linguística e temas afins, do qual fazem parte livros publicados na Suécia, na Dinamarca, na Finlândia e na Noruega. Bechara defende que a educação deve capacitar alunos a compreender o português em todas as variantes e valorizar norma-padrão.

Globo traouxe resenha de Underground (Edições Sesc), coletânea de textos de Luiz Carlos Maciel (1938-2017), um dos principais nomes que puxou a locomotiva de resistência bem-humorada d’O Pasquim no final dos anos 1960 e começo dos anos 1970. Underground era o nome de sua coluna no jornal, que, em plena ditadura militar, deu aos leitores acesso a um mundo de liberdade e transgressão: a contracultura. Ao falar sobre antipsicanálise, literatura beat, teatro experimental, práticas psicodélicas, revolução sexual e outros temas, Maciel sabia articular tais pautas com a realidade opressora do jovem brasileiro de então.

Na coluna de Lauro Jardim, também no Globo, está a informação que um dos maiores álbuns da MPB de todos os tempos, Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges, vai ganhar um livro comemorativo dos seus 50 anos de lançamento. De tudo se faz canção: os 50 anos do Clube da Esquina (Garota FM Books), organizado por Chris Fuscaldo e Márcio Borges, chega às livrarias em novembro.

Estadão deu notícia de que a Biblioteca Azul lança agora o terceiro e último volume das obras completas do escritor argentino Afonso Bioy Casares (1914-1999), conhecido por A invenção de Morel, publicado em 1940, cuja trama foi considerada “perfeita” por ninguém menos que Jorge Luis Borges, de quem, aliás, foi grande amigo e colaborador. Esse último tomo contém os textos escritos entre 1972 e 1999, compondo uma espécie de miscelânea curiosa que inclui escritos ficcionais, como o conto O Rato ou Uma Chave para a Conduta (uma narrativa fantástica à moda de outras que fizeram a fama de Bioy Casares), críticas, relatos pessoais e breves.

Numa ideia simpática de edição, o Estadão publicou resenha de As convidadas (Companhia das Letras), lançado originalmente em 1961, que é o quarto livro de contos de Silvina Ocampo (1903-1993), que foi mulher de Bioy Casares. A obra reúne 43 relatos, a maioria curtos, como costumam ser os contos de Silvina. Personagens centrais de sua literatura, como crianças e empregados, têm participação expressiva nos enredos marcados pelo insólito, pela violência e pela crueldade.

Com conteúdo de Publixhnews.com.br

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