PEPE MUJICA, O PRESIDENTE MAIS POBRE DO MUNDO, MORRE AOS 89

Considerado por muitos um símbolo mundial de humildade, coerência e humildade, o ex-presidente do Uruguai (2010-2015) Pepe Mujica doou seu salário para programas sociais e manteve sua vida simples em uma pequena casa rural, longe de palácios.
0
1017

José “Pepe” Mujica faleceu hoje, 13 de maio, aos 89 anos de idade. Começou sua vida como agricultor, tornou-se guerrilheiro e passou anos na prisão antes de se tornar presidente do Uruguai.

Mujica estava em estágio terminal de um câncer de esôfago e recebia cuidados paliativos.

No auge da carreira como presidente do Uruguai, Mujica recebia um salário de 12,5 mil dólares. Desse valor, escolhera receber apenas um décimo. O restante doava, pois afirma que 1.250 dólares eram “mais do que suficiente” para viver, dividindo seu tempo entre o gabinete do Executivo e o trabalho no campo.

Apesar de ter alcançado o posto mais desejado por muitos políticos, Mujica creditava à agricultura a verdadeira liberdade. Sempre a bordo de um fusca azul-claro, o qual ele se recusou a vender mesmo por um milhão de dólares, o líder político carregava na carona a austeridade como símbolo de vida.

Presidente do Uruguai entre os anos de 2010 e 2015, Mujica se definiu como um “zoon politikon”, um animal político, em entrevista que deu à DW pouco antes do fim do seu governo.Estou na política desde os 14 anos de idade. E se eu não perder a cabeça, continuarei na política até que me carreguem para fora”, afirmou à época, sabendo que a parte mais tumultuada da sua vida já havia ficado para trás. 

Em maio de 2024, Mujica foi diagnosticado com um tumor maligno no esôfago e iniciou um tratamento com radioterapia que, por opção, foi realizado no Uruguai para ficar próximo da esposa, da fazenda e de seus colegas políticos.

Ao receber o diagnóstico, Pepe Mujica convivia também com uma doença imunológica e insuficiência renal. Mas afirmava que “Enquanto aguentar o tranco, estarei aqui. Quero agradecer e transmitir aos jovens deste país que a vida é bela e difícil. E que se houver raiva, que a transformem em esperança. Lutem pelo amor”.

Em janeiro deste ano, revelou que o câncer havia se espalhado pelo corpo e que não iria mais se submeter a tratamentos.

Quando chegou à presidência, em 2015, suas políticas socioeconômicas foram um sucesso. Sob sua liderança, o desemprego, a pobreza e a mortalidade infantil diminuíram. Seu projeto mais controverso foi, provavelmente, a legalização da maconha para fins recreativos. Mujica acreditava que isso era algo que poderia ser testado em um país pequeno como o Uruguai. O experimento continua até hoje e outros países, como o Canadá, bem como muitos estados dos Estados Unidos, seguiram o exemplo.

Mas nem todos os seus planos foram adiante. Sua tão alardeada reforma educacional foi deixada de lado, assim como os grandes projetos de infraestrutura. Ele também teve que lidar com acusações de colegas da esquerda de que ele se aproximava das grandes corporações em questões relacionadas à agricultura e aos recursos naturais.

Um político completamente atípico

Após o fim de sua presidência em 2015, Mujica mediou as negociações de paz entre o governo colombiano e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e continuou a contribuir para o debate político até pouco antes de sua morte.

Em 2020, ele renunciou ao cargo de senador. Em julho de 2024, Mujica recebeu do Partido Comunes de Colombia uma placa de reconhecimento por seu papel no acordo de paz firmado em 2016, que colocou fim a um dos conflitos mais longos da história ocidental. Em novembro de 2024, apoiou o candidato vitorioso na eleição presidencial uruguaia, Yamandú Orsi. Mesmo doente, chegou a participar de atos de campanha.

(Da redação, com informações de DW e da Agência Brasil. Foto: Pepe Mujica e seu inseparável Fusca –Divulgação)