GOVERNO QUE REGULAMENTAR BALONISMO – APÓS ACIDENTES…

Dois acidentes graves ocorridos em poucos dias – um em Capela do Alto, SP e outro em Praia Grande, SC, movimentou autoridades para criar normas específicas para segurança dos praticantes – é como colocar tranca na portal após roubo, mas nunca é tarde ...
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As tragédias recentes em Capela do Alto (SP) – matou uma pessoa –  e Praia Grande, Santa Catarina, que resultou na morte de oito pessoas em dois  acidente de balão, reacendeu o debate sobre a regulamentação do balonismo turístico no Brasil.

O Ministério do Turismo anunciou que se reunirá com entidades interessadas esta semana para avançar na criação de normas específicas, visando à segurança dos praticantes e ao desenvolvimento do setor.

CAPELA DO ALTO

No dia 15 de junho, um balão operado por piloto sem licença, de empresa irregular segundo a Prefeitura de Boituva, decolou dessa cidade e acabou caindo na zona rural de Capela do Alto. Segundo a prefeitura, a empresa responsável havia sido lacrada anteriormente por irregularidades e retornou às atividades sob outro CNPJ, sem qualquer fiscalização prévia.

No dia do acidente, o cesto do balão carregava nada menos que 33 pessoas e, segundo o piloto, “uma rajada inesperada de vento casou o acidente e alguns passageiros pularam do balão”.  Alguns passageiros relataram à polícia que o piloto ficou em pânico e perdeu o controle do balão.

De acordo com informações preliminares, o balão não certificado transportava 33 pessoas, matando a psicóloga Juliana Alves Prado Pereira, de 27 anos, natural de Pouso Alegre (MG),  que fazia o passeio acompanhada do marido, em comemoração ao Dia dos Namorados. Mais três pessoas ficaram feridas e foram atendidas em hospitais da região.

O piloto, Fabio Salvador Pereira, foi preso em flagrante por homicídio culposo agravado e atividade irregular de balonismo. Após passar por audiência de custódia, o piloto teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

ACIDENTE EM PRAIA GRANDE, SC

O acidente com balão em Praia Grande foi outra grande tragédia. Segundo o piloto Elvs Crescêncio, o balão pegou fogo, teve as chamas apagadas em parte e o condutor conseguiu baixar a uma distância onde vários passageiros pularam.

Mas, como o balão ficou mais leve, tornou a subir com o restante dos passageiros, pegando fogo novamente, fazendo com que vários passageiros pulassem de grande altura. Os que ficaram foram carbonizados.

O piloto relatou ainda, em depoimento ao Fantástico, da TV Globo, deste domingo, que o extintor de incêndio não funcionou e, ainda segundo ele, avisou os passageiros que iam descer e que, quando o balão tocasse o solo, deveriam pular para fora.

Ainda segundo o piloto, após orientar os passageiros para pular, ele também pulou, mas oito pessoas não saíram e acabaram morrendo, quatro carbonizadas e quatro que se jogaram do cesto quando balão tornou a subir.

APÓS ACIDENTES, AUTORIDADES SE MOVIMENTAM

O incidente em Santa Catarina trouxe à tona a ausência de uma regulamentação clara para a atividade. Atualmente, o balonismo é classificado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como “atividade aerodesportiva”, o que significa que os voos são realizados “por conta e risco dos envolvidos”. Não há, por exemplo, habilitação técnica específica para pilotos de balão de ar quente ou certificação de segurança para as aeronaves no país.

O Ministério do Turismo, que já discute o assunto desde o início do ano, espera um avanço significativo na próxima semana. O objetivo é que o Brasil tenha uma regulamentação “específica e clara para a operação de voos de balão em atividades turísticas”.

Prefeituras de cidades como Praia Grande (SC) e Torres (RS), conhecida como capital brasileira do balonismo, têm buscado há anos uma regulamentação e maior profissionalização, devido ao crescente impacto dos passeios turísticos em suas economias regionais.

A Confederação Brasileira de Balonismo, por sua vez, divulgou uma nota lamentando a tragédia em Santa Catarina e reforçando que sua atuação se limita a fomentar a prática esportiva, sem competência para regular ou fiscalizar passeios turísticos.

A expectativa é que as futuras regulamentações tragam mais segurança e transparência para o setor, protegendo tanto os turistas quanto os operadores de balões, e evitando que novas tragédias manchem a imagem de uma atividade com grande potencial turístico no país.

(Da redação. Imagem: redes sociais)