
Foto da Revolução de 1932 colorizada por Roberto Secio, que comanda uma página do Facebook dedicada à memória da revolução Imagem: Reprodução Facebook
O dia 9 de julho é mais do que um feriado estadual em São Paulo — é uma data carregada de simbolismo e orgulho para os paulistas. Neste dia, em 1932, teve início a Revolução Constitucionalista, movimento armado liderado por São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas. A insatisfação dos paulistas com a centralização do poder e a ausência de uma nova Constituição levou milhares de civis e militares às trincheiras, numa das mais marcantes batalhas políticas da história brasileira.
A Revolução durou cerca de três meses, entre julho e outubro de 1932, e embora tenha sido militarmente derrotada, deixou um legado poderoso: foi o estopim que forçou o governo federal a convocar uma nova Constituinte e realizar eleições. Por isso, o movimento é considerado o primeiro grande passo rumo à redemocratização do Brasil, após a Revolução de 1930.
O que motivou o levante paulista
Após a deposição de Washington Luís em 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder de forma provisória e dissolveu o Congresso Nacional, suspendendo a Constituição vigente. São Paulo, que havia sido um dos principais pilares da República Velha, passou a sentir-se alijado das decisões políticas e econômicas do país.
A elite política, apoiada por grande parte da sociedade civil e por setores das Forças Armadas, passou a exigir uma nova Constituição e eleições democráticas. A faísca final ocorreu com a morte dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo durante um protesto — nomes que deram origem ao famoso acrônimo MMDC, símbolo da resistência paulista.
A guerra nos trilhos: trincheiras e sacrifício
Em 9 de julho de 1932, tropas paulistas — com cerca de 35 mil homens, a maioria voluntários — enfrentaram o Exército Federal em diversas frentes no interior do estado e em regiões de fronteira. As cidades de Campinas, Taubaté, Itapetininga, Buri, Itapeva, Itararé, Cruzeiro e São José do Rio Preto, entre outras, tornaram-se palcos de combates intensos. Estima-se que cerca de 900 pessoas morreram na revolução.
Apesar da derrota militar em outubro do mesmo ano, São Paulo conquistou uma vitória moral e política. A pressão fez com que o governo federal convocasse eleições em 1933 para a Assembleia Constituinte, que resultaria na promulgação da Constituição de 1934.

Soldados paulistas entrincheirados (Foto Alesp)
O legado da Revolução
A Revolução Constitucionalista é celebrada como uma demonstração de coragem, civismo e participação ativa na construção do Estado Democrático de Direito. Desde 1997, o dia 9 de julho é oficialmente feriado estadual em São Paulo, conforme a Lei Estadual nº 9.497, de 5 de março daquele ano.
A data é marcada por desfiles cívico-militares, atos solenes, missas e homenagens aos combatentes. O Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, é o principal monumento dedicado à memória da Revolução, guardando os restos mortais de heróis do conflito.
Por que devemos nos orgulhar do 9 de Julho
A Revolução de 1932 permanece viva na memória coletiva paulista como símbolo de luta por direitos civis, ordem democrática e soberania popular. O feriado não é apenas uma pausa na rotina: é uma lembrança de que a democracia é uma conquista que exige vigilância, coragem e, muitas vezes, sacrifício.
Celebrar o 9 de julho é, portanto, reafirmar o compromisso de São Paulo com os valores republicanos e com a construção de um país mais justo, participativo e livre.
(Da redação)
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