RODOVIA EM SP GANHA PONTE PARA TRAVESSIAS DE MICOS-LEÕES

A estrutura, de 50 metros de extensão, conecta um fragmento de floresta remanescente a uma área restaurada
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Uma nova passagem de fauna sobre a rodovia SPV-035, no km 59, foi instalada no município de Presidente Epitácio, no oeste do estado de São Paulo. O objetivo é conectar fragmentos florestais e ampliar a mobilidade de espécies arbóreas ameaçadas de extinção, como o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) e o bugio-ruivo (Alouatta guariba).

Com cerca de 50 metros de extensão, a ponte de dossel, também chamada de passagem aérea para fauna arborícola, foi desenvolvida como parte do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, uma iniciativa do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas). A inauguração oficial ocorreu na última segunda-feira (20).

Essa estrutura conecta um fragmento de floresta remanescente a uma área restaurada, permitindo que animais que vivem nas copas das árvores, e não costumam descer ao solo, possam cruzar a rodovia com segurança.

Conexão para espécies em risco

A nova ponte estabelece uma ligação direta entre a Reserva Legal da Fazenda San Maria e um corredor ecológico restaurado que leva a um dos fragmentos da Estação Ecológica Mico-leão-preto, unidade de conservação gerida pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Embora o fragmento ainda não abrigue populações de mico-leão-preto, a conexão é parte de uma estratégia ampla do IPÊ para reconectar habitats isolados ao norte do Parque Estadual Morro do Diabo, uma das áreas mais importantes para a espécie no estado.

“A instalação da primeira ponte representa um avanço estratégico para a conservação do mico-leão-preto. Ela complementa os corredores restaurados ao possibilitar o cruzamento seguro de rodovias por animais que têm dificuldade de se locomover no chão, para alcançar novas áreas de florestas”, destaca Gabriela Rezende, coordenadora do programa. “Nossa expectativa é que essa estrutura possibilite a ampliação das áreas de floresta ocupadas pelos micos, possibilitando o crescimento dessas pequenas populações e, assim, reduzindo seu risco de extinção”, completa.

Especialistas e parcerias técnicas

O projeto contou com o apoio técnico da ViaFAUNA Consultoria Ambiental, liderada por Fernanda Abra, pesquisadora associada ao IPÊ e referência nacional em passagens aéreas para fauna. Fernanda já instalou cerca de 40 pontes de dossel na Amazônia com o Projeto Reconecta.

A construção foi realizada pela empresa TecTom BR Comércio e Soluções, com suporte logístico da Prefeitura de Presidente Epitácio. Como parte do monitoramento, foram instaladas câmeras trap na área da travessia para registrar as espécies que utilizarem a ponte.

A instalação está alinhada às diretrizes do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas e Preguiças da Mata Atlântica (PAN PPMA), coordenado pelo CPB/ICMBio.

“A restauração de corredores florestais está entre as estratégias cruciais para mitigar os impactos da fragmentação de habitats, mas muitas vezes a gente se depara com situações de impacto que não podem esperar o tempo necessário para o crescimento de um corredor florestal, 20, 30 anos”, afirma Leandro Jerusalinsky, coordenador do CPB/ICMBio. “Com isso, a instalação de passagens de dossel está entre as medidas emergenciais que têm se mostrado eficientes para reduzir esses impactos, em especial para primatas. A estratégia tem o potencial de aumentar a mobilidade dos animais e reduzir os riscos de colisões veiculares com fauna e eletrocussões e, claro, trazendo benefícios demográficos e genéticos para aumentar a viabilidade dessas populações”, explica.

Foto: Programa de Conservação do Mico-leão-preto | IPÊ

Conectividade ecológica

Segundo Paulo Roberto Machado, gestor da Estação Ecológica Mico-leão-preto, a nova ponte fecha uma lacuna essencial: “Com essa ação ultrapassamos as barreiras físicas que no caso são as estradas. Do lado onde está a Estação Ecológica Mico-leão-preto, temos quase 200 hectares implementados em área de APP e Reserva Legal com restauração florestal que estão praticamente conectados ao fragmento Santa Maria da ESEC. A ESEC é dividida em quatro fragmentos com mais de 1000 hectares cada e esses corredores têm permitido a conexão entre essas áreas isoladas de floresta. Essa passagem sobre a rodovia fecha um elo importante para as espécies que agora podem transitar por essas florestas da região em segurança.”

Articulação institucional

A iniciativa foi possível graças a uma ampla articulação entre instituições públicas e privadas, incluindo: Fazenda San Maria, Prefeitura Municipal da Estância Turística de Presidente Epitácio, ViaFAUNA Consultoria Ambiental, Concessionária CART, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), Estação Ecológica Mico-leão-preto (ICMBio), Fundação Florestal do Estado de São Paulo e TecTom BR Comércio e Soluções.

(Da redação. Fonte: Governo do Estado de SP)