GOLPES “BENÇA, TIA” E “WHATSAPP FALSO” USAM ENGENHARIA SOCIAL PARA ROUBAR VÍTIMAS

Criminosos se passam por parentes em situações de urgência ou usam fotos de perfil para enganar contatos e solicitar dinheiro; Anatel lança campanha de cibersegurança.
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Uma onda de golpes baseados em engenharia social tem crescido e causado prejuízos financeiros e emocionais a milhares de brasileiros. Duas das modalidades mais comuns, o golpe do “Bença, tia” e o “Golpe do WhatsApp Falso”, exploram a boa-fé e a confiança das vítimas para extorquir dinheiro.

Enquanto o primeiro foca em ligações ou mensagens vagas para que a própria vítima revele a identidade de um parente, o segundo utiliza a foto de perfil da pessoa em um novo número para enganar amigos e familiares. Em resposta ao aumento dessas ameaças, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promove a campanha #OutubroCiberSeguro, visando conscientizar a população.

Como funcionam os golpes de impersonação

Embora tenham métodos distintos, os golpes visam o mesmo objetivo: criar uma situação de urgência crível para solicitar transferências financeiras.

  1. O Golpe do “Bença, tia”

Esta tática explora a confiança, mirando principalmente em pessoas idosas. O criminoso inicia o contato, seja por ligação ou aplicativo de mensagem, com saudações afetuosas e vagas, como “Oi, tia” ou “Bença, tia”, sem se identificar.

A vítima, na tentativa de reconhecer a voz ou o número, instintivamente pergunta: “É você, [nome do sobrinho/parente]?”. A partir desse momento, o golpista assume a identidade mencionada e inventa uma emergência, como um carro quebrado, um problema de saúde ou a necessidade de recarga de celular, solicitando um depósito ou PIX com urgência.

  1. O Golpe do “WhatsApp Falso”

Nesta modalidade, o criminoso obtém a foto de perfil da vítima (muitas vezes de redes sociais ou do próprio WhatsApp, se a privacidade não estiver configurada) e a utiliza em uma nova conta do aplicativo, com um número de telefone diferente.

De posse desse perfil falso, ele busca contatos da vítima — que podem ter sido obtidos em vazamentos de dados ou sistemas de crédito — e começa a enviar mensagens se passando por ela. O pretexto é quase sempre o mesmo: alega que trocou de número e que, por algum motivo urgente, precisa de uma transferência, prometendo devolver o valor assim que possível.

Campanha #OutubroCiberSeguro reforça alertas

Pelo terceiro ano consecutivo, a Anatel promove a campanha #OutubroCiberSeguro para combater ameaças online. A agência destaca a importância da prevenção contra fraudes como o Golpe do WhatsApp Falso.

“A segurança digital é responsabilidade de todos. Ao identificar e denunciar golpes como esse, o cidadão contribui diretamente para um ambiente online mais seguro”, afirma a superintendente de Controle de Obrigações da Anatel, Suzana Silva Rodrigues.

Apesar de o WhatsApp não ser um serviço de telecomunicações regulamentado pela Anatel, a agência mantém campanhas de conscientização, como o #ConexãoSegura e o #MovimentoFiqueEsperto, além de um espaço dedicado a Dicas contra Fraudes em seu portal oficial.

Como se proteger e o que fazer para não ser vítima

A principal ferramenta contra a engenharia social é a desconfiança. Especialistas em segurança e autoridades recomendam um conjunto de boas práticas para evitar cair nesses golpes.

  • Desconfie de contatos inesperados: Se receber uma ligação ou mensagem de alguém pedindo dinheiro, mesmo que pareça familiar, mantenha a calma.
  • Não adivinhe nomes: No golpe do “Bença, tia”, nunca sugira nomes. Pergunte firmemente: “Quem está falando?”. Se a pessoa insistir ou for vaga, desligue e bloqueie o número.
  • Confirme por outro canal: Se um parente ou amigo pedir dinheiro de um número novo, não transfira. Ligue para o número antigo e original dessa pessoa para confirmar a história.
  • Ajuste a privacidade do WhatsApp: Limite quem pode ver sua foto de perfil, “visto por último” e “recado”. Acesse Configurações > Privacidade e altere a visualização de “Todos” para “Meus contatos”.
  • Ative a verificação em duas etapas: Tanto no WhatsApp quanto em outras contas, essa camada extra de segurança dificulta a clonagem e o acesso indevido.
  • Nunca forneça dados sensíveis: Não compartilhe senhas, códigos de verificação, dados bancários ou números de documentos por telefone ou mensagem.

Caí no golpe. E agora?

Caso tenha sido vítima de uma dessas fraudes, o tempo de resposta é crucial:

  1. Registre um Boletim de Ocorrência (B.O.): Vá à delegacia da Polícia Civil mais próxima ou registre a ocorrência online. Reúna todas as provas possíveis, como prints das conversas, registros de chamadas e comprovantes de transferência.
  2. Contate seu banco: Informe imediatamente sua instituição financeira sobre a fraude e tente bloquear a transação ou rastrear os valores.
  3. Avise seus contatos: Informe amigos, familiares e colegas em redes sociais que há um número se passando por você, evitando que mais pessoas caiam no golpe.
  4. Denuncie o número:
    • No WhatsApp: Denuncie o contato diretamente no aplicativo (clique no número, selecione “Denunciar contato”). Peça que seus contatos façam o mesmo.
    • Por e-mail: Envie uma denúncia para support@whatsapp.com informando o perfil falso e solicitando a desativação imediata da conta.

(Da redação, com informações da Anatel e do Gov.Br. Imagem gerada por I.A.)