DE PEIXOTO GOMIDE À SOPHIA GOMIDE: CÂMARA DE SP REESCREVE HISTÓRIA DE FEMINICÍDIO E AMOR TRÁGICO DE BAPTISTA CEPELLOS

Vereadores aprovam em 1º turno troca de nome da rua na região da Paulista, retirando a homenagem a Peixoto, um feminicida, e elevando o nome de Sophia, sua filha, que era noiva do poeta cotiano Baptista Cepellos
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A Câmara Municipal de São Paulo deu um passo importante nesta semana para reescrever uma página sombria da história da cidade, marcada por um feminicídio que chocou a capital no início do século passado.

Em primeira votação, os vereadores aprovaram por unanimidade (33 votos favoráveis) o Projeto de Lei que propõe a troca do nome da Rua Peixoto Gomide, na região central, para Sophia Gomide.

O PL, que ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara antes de seguir para a sanção do prefeito Ricardo Nunes, retira a homenagem a Francisco de Assis Peixoto Gomide, um renomado advogado e político que assassinou a tiros sua filha, Sophia, no ano de 1906. O caso, à época, gerou grande comoção e debates sobre a violência contra a mulher.

A proposta de alteração do nome da rua, situada entre os bairros Bela Vista e Jardim Paulistano, é vista por muitos como um ato de reparação histórica e de repúdio a uma figura pública que, apesar de sua trajetória profissional, cometeu um crime hediondo. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara já havia dado parecer favorável à mudança na quarta-feira (18), encaminhando o projeto ao plenário.

Um Elo Trágico: Baptista Cepellos e o Amor Trágico

A história de Sophia Gomide, no entanto, não termina com o fim de sua vida. Ela está, de forma trágica e poética, ligada a um dos maiores nomes da literatura brasileira, o poeta Baptista Cepellos.

Nascido em Cotia, Cepellos foi um expoente do Simbolismo e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Diz a lenda — e muitos historiadores confirmam — que Cepellos, profundamente apaixonado por Sophia, jamais superou a perda de sua amada. O poeta, já conhecido por sua sensibilidade e por suas obras repletas de melancolia e desilusão amorosa, teria se tornado ainda mais desgostoso e solitário após a tragédia.

A dor e a tristeza, intensificadas pela perda de Sophia, teriam acompanhado Cepellos até o Rio de Janeiro, para onde se mudou em busca de um novo começo, mas onde a sua saúde, já debilitada, se deteriorou rapidamente. O poeta morreu na capital fluminense em 1908, aos 27 anos, dois anos após a morte de sua musa, em um claro exemplo de como o amor e a tragédia podem se entrelaçar de forma indelével na vida e na obra de um artista.

A história de Peixoto Gomide, Sophia e Baptista Cepellos é um retrato de uma São Paulo que se transformava rapidamente, marcada por costumes e convenções sociais que, muitas vezes, ocultavam tragédias e injustiças.

A mudança do nome da rua é, portanto, um símbolo dessa transformação, um esforço para que a história não seja esquecida, mas sim, resgatada e recontada de forma mais justa e transparente.

(Da redação, com informações da Câmara Municipal de Cotia. Imagem: Persona Cursos)