INAUGURAÇÃO DE CENTRO DE NEFROLOGIA EM COTIA: ESPERANÇA E DESAFIOS TÉCNICOS

Centro de Nefrologia que será inaugurado hoje em Cotia
A recente divulgação da futura inauguração de um Centro de Nefrologia em Cotia trouxe esperança para centenas de pacientes que, atualmente, enfrentam a exaustiva rotina de deslocamento para cidades vizinhas em busca de hemodiálise. No entanto, para que a estrutura física anunciada pelo prefeito Welington Formiga se torne efetivamente uma unidade de tratamento funcional, o projeto deve atender a critérios técnicos e legais rigorosos estabelecidos pelo Governo Federal.
Afinal de acordo com vídeo divulgado ainda em 2025, o prefeito prometeu que a clínica será de hemodiálise, que passaria a ser feita em Cotia, evitando as viagens dos pacientes até os centros em São Paulo. Assista o vídeo em (3) Instagram – https://www.instagram.com/reels/DFdTFHoRUlh/
O Coração da Unidade: Sistema de Tratamento de Água
Diferente de um ambulatório de consultas, um centro de hemodiálise é uma unidade de alta complexidade. De acordo com a RDC nº 11/2014 da ANVISA, o item mais crítico é o sistema de tratamento de água. A norma exige uma estrutura de Osmose Reversa de duplo passo, capaz de garantir pureza absoluta, com análises laboratoriais mensais obrigatórias. Qualquer falha nesse sistema pode comprometer a vida dos pacientes.
Equipe Técnica e Proporção de Atendimento
Para garantir a segurança, o Ministério da Saúde e a ANVISA estabelecem proporções rígidas de profissionais por turno:
- Médicos Nefrologistas: Pelo menos 1 para cada 35 pacientes.
- Enfermeiros: Pelo menos 1 para cada 35 pacientes.
- Técnicos de Enfermagem: Pelo menos 1 para cada 4 pacientes.
- Equipe Multidisciplinar: Acesso obrigatório a psicólogo, assistente social e nutricionista, fundamentais para o tratamento de doentes crônicos.
Infraestrutura e o “Nó” do Credenciamento
Para uma cidade do porte de Cotia (cerca de 290 mil habitantes), estima-se que a unidade precisaria de 30 a 40 máquinas operando em três turnos para absorver a demanda local e realmente encerrar o transporte de pacientes. Além das máquinas e poltronas articuladas, a unidade deve possuir uma sala de emergência completa com carrinho de parada e desfibrilador.
Contudo, o maior desafio após a obra física é o credenciamento junto ao SUS. Registros indicam que a prefeitura busca apoio estadual desde 2025, mas ainda não há publicação de habilitação definitiva no Diário Oficial da União (DOU). Sem esse “selo” do Ministério da Saúde, o município teria que arcar com 100% dos custos das sessões, o que é financeiramente insustentável a longo prazo.
A população deve acompanhar se, após a inauguração física prevista para o dia 27 de abril, a unidade já contará com a autorização sanitária e o sistema de água testado para iniciar os atendimentos imediatamente, ou se o local funcionará inicialmente apenas para consultas preventivas.
Da redação – Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA – RDC 11/2014), Ministério da Saúde (Portaria nº 389/2014 e Portaria de Consolidação nº 3/2017) e registros de convênios governamentais. Imagem: Prefeitura de Cotia





