A infância e a adolescência da estrela foram marcadas por profundas adversidades. Filha de uma mãe que sofria de esquizofrenia paranoide e que passou longos períodos internada, Marilyn viveu entre orfanatos e lares adotivos. Antes de atingir o estrelato na indústria cinematográfica, chegou a trabalhar em uma fábrica de aviões durante a Segunda Guerra Mundial, período em que foi descoberta por um fotógrafo militar, dando início à sua carreira como modelo fotográfica no fim dos anos 1940.

A consagração nas telas veio com produções de enorme sucesso comercial. Longas-metragens como Os Homens Preferem as Loiras (1953), O Pecado Mora ao Lado (1955) e Quanto Mais Quente Melhor (1959) ajudaram a sedimentar o arquétipo da “loira sensual” exigido pelos grandes estúdios da época. No entanto, paralelamente à projeção de sua imagem de sex symbol mundial — eternizada pela célebre cena do vestido branco levantado pelo vento do metrô —, Marilyn demonstrava profundo incômodo com o tratamento que recebia da crítica e do mercado cinematográfico.

A busca pela legitimação e a leitora voraz

Longe dos holofotes e das lentes dos fotógrafos, Marilyn Monroe travava uma batalha constante para se desvincular do estereótipo de dumb blonde (loira burra) imposto pelo sistema. Determinada a aprimorar seu talento técnico, mudou-se para Nova York no auge da carreira para estudar interpretação no renomado Actors Studio, sob a tutela de Lee Strasberg. Na mesma década de 1950, tomou uma atitude pioneira para a época ao fundar a sua própria produtora cinematográfica, a Marilyn Monroe Productions, buscando maior autonomia criativa e papéis de maior densidade dramática.

A faceta intelectual da atriz também se destacava em sua vida privada. Marilyn mantinha uma biblioteca particular com centenas de livros e era uma leitora voraz de autores densos, que incluíam obras de James Joyce, Fiódor Dostoiévski, Walt Whitman e Samuel Beckett. Além disso, expressava suas angústias e reflexões em diários pessoais e poemas, revelando uma personalidade sensível e altamente exigente consigo mesma.

Sua vida pessoal também esteve sob o escrutínio permanente da mídia. Transitou por círculos intelectuais e artísticos de grande prestígio, mantendo uma forte amizade com o escritor Truman Capote e casando-se com duas figuras proeminentes da sociedade americana: o astro do beisebol Joe DiMaggio e o renomado dramaturgo Arthur Miller. A sua relevância cultural foi tamanha que o artista Andy Warhol a imortalizou na obra Shot Sage Blue Marilyn (1964); a serigrafia tornou-se a obra de arte do século XX mais cara já leiloada na história, arrematada em 2022 pelo valor de US$ 195 milhões.

Homenagens e retrospectivas no Brasil

O centenário de nascimento de Marilyn Monroe é alvo de uma série de celebrações culturais no Brasil. Em São Paulo, o Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) realiza a “Mostra Marilyn Monroe — 100 anos”. A curadoria selecionou tanto os grandes clássicos quanto produções menos difundidas do grande público, a exemplo de Idade Perigosa (1947) — que traz o primeiro papel falado da atriz — e o noir Só a Mulher Peca (1952), dirigido pelo lendário cineasta Fritz Lang.

O MIS-SP também abriga a exposição fotográfica “Marilyn: a última entrevista”, que exibe os registros feitos pelo fotojornalista Allan Grant para a revista Life em julho de 1962, na residência da artista, poucas semanas antes de seu falecimento. No Rio de Janeiro, o circuito de homenagens é integrado pela retrospectiva “Quanto mais Marilyn melhor!”, em cartaz no Estação Net Gávea. Centros internacionais de prestígio, como a National Portrait Gallery, em Londres, e o Academy Museum of Motion Pictures, em Los Angeles, também realizam programações especiais em memória do centenário daquela que permanece como o maior ícone do imaginário ocidental do cinema.

Fontes: MIS-SP / Estação Net Gávea / Academy Museum of Motion Pictures