SUS VAI OFERECER NOVOS MEDICAMENTOS GRATUITOS PARA DOENÇAS COMO CROHN, UVEÍTES E VASCULITES

Decisão pactuada na Comissão Intergestores Tripartite garante a compra e distribuição de nove novos remédios na rede pública, além de avanços na saúde digital e no combate à tuberculose
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O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a adquirir, distribuir e fornecer gratuitamente nove novos medicamentos voltados ao tratamento de enfermidades inflamatórias, autoimunes, renais e intoxicações graves. A incorporação e a divisão de responsabilidades de compra entre o Governo Federal e os estados foram formalizadas durante a 8ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), realizada em Brasília com representantes do Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais.

Entenda as doenças atendidas e os novos medicamentos

  • Doença de Crohn (Mal de Crohn): É uma doença inflamatória intestinal crônica e autoimune que atinge o trato digestivo, principalmente a parte inferior do intestino delgado e o cólon. Costuma provocar dores abdominais intensas, cólicas, diarreia persistente, perda de peso e fadiga, podendo evoluir para fístulas ou estenoses em quadros moderados a graves.

    • Medicamento no SUS: Infliximabe 120 mg com aplicação subcutânea (sob a pele), formato que facilita a administração e a rotina do paciente. A medida deve atender mais de 13,5 mil pessoas, com investimento federal de até R$ 59,1 milhões.

  • Uveítes Não Infecciosas (Saúde Ocular de Crianças e Jovens): A uveíte é uma inflamação que afeta a úvea — camada média dos olhos responsável pela nutrição ocular (íris, corpo ciliar e coroide). Quando não tratada, pode causar visão embaçada, dor, sensibilidade à luz (fotofobia) e até perda progressiva da visão.

    • Medicamentos no SUS: O Ministério da Saúde fará a compra direta do imunossupressor metotrexato em comprimido de 2,5 mg (para cerca de 3,3 mil jovens) e do medicamento biológico adalimumabe 40 mg (para casos específicos que não respondem à terapia convencional).

  • Vasculites Associadas a ANCA: Grupo de doenças autoimunes caracterizadas pela inflamação dos vasos sanguíneos, provocada por anticorpos anômalos. A condição pode comprometer o fluxo de sangue, danificando órgãos vitais como rins, pulmões e vias aéreas.

    • Medicamentos no SUS: Na fase inicial, os estados fornecerão a ciclofosfamida 50 mg. Na fase de manutenção, o Ministério da Saúde ofertará o rituximabe (100 mg e 500 mg) e o metotrexato injetável (25 mg/mL), tendo a azatioprina 50 mg como alternativa financiada pelos estados.

  • Hipercalemia em Doença Renal Crônica: Em fases avançadas da insuficiência renal, os rins perdem a capacidade de filtrar e excretar o potássio adequadamente, acumulando o mineral na corrente sanguínea (hipercalemia), o que gera sérios riscos de arritmias cardíacas fatais.

    • Medicamento no SUS: O Ministério da Saúde repassará R$ 21,1 milhões para que as secretarias estaduais adquiram o ciclossilicato de zircônio sódico 5 g, auxiliando no controle dos níveis de potássio de cerca de 4,8 mil pacientes.

  • Intoxicação por Mercúrio: Emergência toxicológica gerada pelo acúmulo de mercúrio no organismo (comum em áreas de garimpo ou exposição ocupacional/ambiental), capaz de lesionar o sistema nervoso central, rins e pulmões.

    • Medicamento no SUS: Compra centralizada pelo Ministério da Saúde do DMSA (Succimer), fármaco quelante que atua eliminando o metal pesado do corpo.

Avanços em Saúde Digital, Tuberculose e Oncologia

Além da grade farmacêutica, a CIT pactuou a Política Nacional de Informação e Saúde Digital (PNISD), voltada para integrar os prontuários e dados de saúde de todo o país por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e fortalecer serviços de telessaúde.

Outro destaque da assembleia tripartite foi a aprovação do Programa Nacional de Eliminação da Tuberculose como Problema de Saúde Pública, reforçando metas para diagnóstico precoce e tratamento integral até 2030. Foram formalizados ainda o Painel de Monitoramento da Radioterapia (para otimizar filas no tratamento oncológico), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola e diretrizes de vigilância contra poluentes atmosféricos.

Fontes: Agência Gov / Ministério da Saúde (MS) / Comissão Intergestores Tripartite (CIT).