ENEM GARANTE APLICAÇÃO DE PROVAS EM AMBIENTE HOSPITALAR PARA ESTUDANTES EM TRATAMENTO

Iniciativa do Ministério da Educação assegura atendimento especializado e continuidade aos estudos de jovens impossibilitados de frequentar a escola regular
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Problemas graves de saúde que exigem isolamento prolongado ou internações extensas não impedem que jovens participem do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Por meio de diretrizes do Ministério da Educação (MEC), candidatos matriculados em classes hospitalares têm direito a realizar as provas dentro do próprio ambiente hospitalar, contando com total segurança sanitária, comodidade e estrutura adequada.

Para ter acesso a esse modelo de aplicação, o participante precisa registrar a solicitação de atendimento especial no ato da inscrição. O pedido exige a apresentação de laudo médico detalhado com diagnóstico e justificativa clínica da internação, além de uma declaração formal emitida pela unidade hospitalar assegurando que o espaço dispõe de instalações adequadas e seguras para a realização da prova. Anualmente, cerca de 50 estudantes recorrem ao recurso por motivos como tratamento oncológico, transplantes ou quadros que demandam imunossupressão.

A estudante Ana Clara Martinez, de 18 anos, moradora de Mogi das Cruzes (SP), fará o exame no hospital pela terceira vez enquanto trata um tumor no nervo óptico. Ela relata que a estrutura de apoio faz a diferença para seu desempenho: além do local adaptado, a jovem conta com auxílio de leitor, escriba e tempo extra de prova para buscar sua vaga no curso de Psicologia.

O papel das classes hospitalares

Criadas para assegurar a continuidade escolar de pacientes impossibilitados de frequentar as salas convencionais, as classes hospitalares atendem à legislação que veda barreiras clínicas ao processo de aprendizagem. Para integrar o modelo, o jovem permanece vinculado à sua escola de ensino regular, enquanto as equipes multiprofissionais e pedagógicas da unidade de saúde compartilham relatórios, frequências e notas com a instituição de origem, evitando prejuízos curriculares ou reprovação por faltas.

O paulistano João Paulo da Cruz, também de 18 anos, vivenciou esse acompanhamento na Escola Móvel do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc) e agora se prepara para o Enem pela segunda vez. Segundo sua mãe, Rosangela da Cruz, os dois anos em que ele esteve afastado da rotina escolar tradicional foram compensados pelo suporte contínuo da classe hospitalar, que garantiu preparo tanto para o retorno à escola regular quanto para o exame federal.

Principal via de ingresso ao ensino superior no Brasil, o Enem viabiliza vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), bolsas pelo Prouni e financiamento pelo Fies, além de ser adotado como critério seletivo por instituições públicas, privadas e universidades conveniadas em Portugal.

Fonte e imagem: Agência Gov / Ministério da Educação (MEC) / Inep.