ALÉM DOS TIPOS 1 E 2: ENTENDA AS OUTRAS 7 VARIANTES DO DIABETES E A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECISO

Embora a classificação tradicional foque nos tipos mais comuns, mutações genéticas, doenças pancreáticas e até o uso de medicamentos podem desencadear diferentes formas da doença
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O diagnóstico de diabetes muitas vezes parece limitado a duas opções: o Tipo 1 (autoimune) ou o Tipo 2 (associado ao estilo de vida). No entanto, a medicina moderna identifica uma realidade muito mais complexa. Segundo o endocrinologista Fernando Valente, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a confusão entre os tipos pode levar a tratamentos ineficazes, retardando a melhora do paciente.

Abaixo, detalhamos as sete variantes menos discutidas, mas fundamentais para o conhecimento clínico e público:

  1. Diabetes MODY (Genético)

Sigla para Mature Onset Diabetes of the Young, manifesta-se geralmente antes dos 25 anos. Diferente do Tipo 2, sua causa é uma mutação genética que afeta a produção de insulina. É fortemente hereditário, atingindo várias gerações da mesma família. O diferencial é que muitos casos respondem a comprimidos (sulfonilureias), dispensando a insulina inicialmente.

  1. Diabetes Neonatal

Aparece em bebês antes dos seis meses de vida. Pode ser transitório ou permanente e também decorre de mutações genéticas específicas. O diagnóstico correto via painel genético é vital, pois evita que a criança dependa de insulina pelo resto da vida, podendo ser tratada com medicação oral.

  1. Diabetes LADA

O Diabetes Latente Autoimune do Adulto é frequentemente confundido com o Tipo 2 por surgir na idade adulta e progredir lentamente. Contudo, é uma doença autoimune (como o Tipo 1). É um “intermediário”: tem anticorpos presentes, mas não exige insulina de imediato, embora a progressão para o uso do hormônio seja comum.

  1. Diabetes Tipo 3C (Pancreatogênico)

Diferente dos outros tipos, este surge como sequela de lesões no pâncreas, como pancreatites, câncer, fibrose cística ou cirurgias. O paciente costuma apresentar perda de peso e dificuldades digestivas (diarreia crônica), pois o pâncreas falha tanto na produção de insulina quanto na de enzimas.

  1. Diabetes Secundário a Medicamentos

O uso prolongado de certas substâncias pode elevar a glicose de forma persistente. Os principais vilões são:

  • Corticoides e imunossupressores;
  • Antipsicóticos e antirretrovirais;
  • Alguns quimioterápicos.

A boa notícia é que, em muitos casos, o quadro pode ser revertido com o ajuste ou a suspensão da medicação causadora.

  1. Diabetes Gestacional

Condição temporária que afeta entre 2% e 4% das grávidas devido aos hormônios da placenta que bloqueiam a insulina. É uma doença “silenciosa” que exige rastreamento rigoroso no pré-natal, pois pode causar crescimento excessivo do bebê e riscos de diabetes futuro para mãe e filho.

  1. Diabetes Tipo 5 (Relacionado à Desnutrição)

Mais comum na Ásia e África, este tipo está associado à escassez extrema de nutrientes na vida intrauterina ou na infância, o que prejudica a formação das células do pâncreas. O paciente típico é jovem e apresenta baixo peso (IMC abaixo de 18,5), necessitando de tratamento com insulina e suporte nutricional.

Entenda as diferenças principais

Tipo Causa Principal Perfil Comum
Tipo 1 Autoimune (destruição de células) Crianças e jovens; início abrupto
Tipo 2 Resistência à insulina/Estilo de vida Adultos; associado a sobrepeso
MODY Mutação Genética Jovens com histórico familiar forte
LADA Autoimune de progressão lenta Adultos; frequentemente confundido com Tipo 2
3C Lesão física no pâncreas Pacientes com histórico de pancreatite/câncer

(Da redação, com informações e imagem de Guia da Farmácia)