ANA MARIA GONÇALVES É A PRIMEIRA MULHER NEGRA A SE TORNAR IMORTAL DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Autora de "Um Defeito de Cor" recebeu 30 dos 31 votos e ocupa a cadeira nº 33, que pertenceu ao filólogo Evanildo Bechara
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A escritora mineira Ana Maria Gonçalves foi eleita nesta quinta-feira (11) para ocupar a cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se a primeira mulher negra a se tornar imortal nos 128 anos de história da instituição. A autora recebeu 30 dos 31 votos, em eleição que teve a participação de outros 11 candidatos.

Autora de obras marcantes como o romance “Um Defeito de Cor”, Gonçalves é conhecida pela escrita potente e pelo engajamento com temas raciais, históricos e culturais que permeiam suas narrativas. Além de escritora, ela é roteirista, dramaturga, professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais, contribuindo amplamente para o cenário literário e artístico brasileiro.

A cadeira 33 era anteriormente ocupada pelo linguista e filólogo Evanildo Bechara, falecido em maio de 2024. Gonçalves é a sucessora de um nome importante do estudo da língua portuguesa e, com sua chegada, imprime novos contornos à representatividade da ABL.

Reconhecimento e legado

Nascida em Ibiá, no interior de Minas Gerais, Ana Maria Gonçalves é autora do romance “Um Defeito de Cor”, lançado em 2006, que narra a trajetória de Kehinde, uma mulher africana que foi escravizada e busca por seu filho perdido no Brasil.

A obra é considerada um marco da literatura afro-brasileira contemporânea e ganhou força renovada com uma exposição homônima no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), realizada em Salvador, em novembro de 2023.

A mostra, dividida em dez ambientes temáticos, abordava temas como o feminino, povos originários, religiosidade, natureza e ancestralidade, além de oferecer uma reinterpretação da história da escravidão e da diáspora africana sob uma perspectiva crítica e anticolonial.

Novo capítulo para a ABL

Fundada em 1897 e marcada por uma história de forte predominância masculina e branca, a Academia Brasileira de Letras tem, nos últimos anos, buscado abrir espaço para novas vozes da literatura nacional. Com a eleição de Ana Maria Gonçalves, a instituição não apenas reconhece a excelência literária da autora, como também dá um importante passo rumo à diversidade e representatividade dentro de seus quadros.

A posse da nova imortal será marcada por uma cerimônia solene ainda a ser anunciada. Ana Maria agora se junta a nomes consagrados da literatura nacional, e sua presença promete abrir portas para outros escritores e escritoras negras e negras nas letras brasileiras.

(Da redação – Imagem Ag. Brasil)