COP-30 EM BELÉM: AMAZÔNIA SEDIA CÚPULA DECISIVA PARA O FUTURO DO CLIMA

Conferência da ONU, que começou ontem (10) e vai até 21 de novembro na capital paraense, é o palco central para a definição das novas metas de redução de emissões que definirão o legado climático para as próximas gerações.
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Belém do Pará, o coração da Amazônia brasileira, tornou-se oficialmente o centro das discussões climáticas globais. Teve início nesta segunda-feira (10) e segue até o dia 21 de novembro, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a COP-30.

O evento reúne representantes de 198 partes (197 países mais a União Europeia) e é considerado um dos encontros mais cruciais desde a assinatura do Acordo de Paris, há uma década.

Pela primeira vez, a maior floresta tropical do planeta sedia a cúpula, um movimento altamente simbólico que coloca a preservação das florestas, a biodiversidade e os povos indígenas no centro da agenda de negociação.

O que é a COP e qual seu objetivo?

A “COP” é o órgão supremo de decisão da UNFCCC, o tratado internacional assinado na Rio-92 que estabeleceu as bases para o combate ao aquecimento global. As COPs ocorrem anualmente para avaliar o progresso dos países no enfrentamento da crise climática.

O objetivo principal da COP-30 em Belém é definir a segunda rodada das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Em termos simples: os países devem apresentar novos (e obrigatoriamente mais ambiciosos) planos de corte de emissão de gases de efeito estufa para o período pós-2030.

Esta etapa é vital. A primeira rodada de NDCs, apresentada em Paris (COP-21), revelou-se insuficiente. O último “Balanço Global” (Global Stocktake), divulgado na COP-28 em Dubai (2023), confirmou cientificamente que o mundo caminha para um aquecimento perigoso, muito acima da meta de 1,5°C estabelecida em Paris.

A COP-30 é, portanto, o “prazo final” para que as nações corrijam a rota e apresentem metas que, somadas, evitem o colapso climático.

Antecedentes: A longa estrada até Belém

A jornada até a COP amazônica foi longa. A preocupação global com o clima ganhou força na Rio-92 (Eco-92), onde a UNFCCC nasceu. Seguiu-se o Protocolo de Kyoto (COP-3, 1997), que estabeleceu metas de redução para países ricos, mas falhou ao excluir grandes emissores em desenvolvimento.

O divisor de águas foi o Acordo de Paris (COP-21, 2015), que mudou a lógica: todos os países, ricos e pobres, deveriam apresentar suas próprias metas (as NDCs), com o objetivo comum de limitar o aquecimento global a “bem abaixo de 2°C”, esforçando-se para ficar em 1,5°C.

Mais recentemente, a COP-28 em Dubai (2023) entrou para a história ao ser a primeira a incluir no texto final um chamado para a “transição para longe dos combustíveis fósseis”. Agora, em Belém, espera-se que essa transição comece a se traduzir em metas financeiras e planos de ação concretos.

O Custo da Inação: O “Desarranjo Climático” e Nossos Descendentes

O que está em jogo em Belém vai muito além da diplomacia. O “desarranjo climático” deixou de ser uma previsão para se tornar a realidade vivida por milhões de pessoas, e as projeções científicas (compiladas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC) são claras sobre o que espera as futuras gerações.

Se as metas falharem e o aquecimento ultrapassar 1,5°C, nossos descendentes herdarão um planeta fundamentalmente mais hostil. As consequências incluem:

  • Eventos Extremos Intensificados: Secas prolongadas, como as que já afetam a própria Amazônia, alternadas com inundações devastadoras, como as vistas no Sul do Brasil, tornar-se-ão a nova regra.
  • Elevação do Nível do Mar: O derretimento acelerado das calotas polares ameaça submergir áreas costeiras densamente povoadas em todo o mundo.
  • Insegurança Hídrica e Alimentar: A mudança nos padrões de chuva e o calor extremo comprometerão a produção agrícola, ameaçando o abastecimento de alimentos e o acesso à água potável.
  • Pontos de Não Retorno (Tipping Points): A maior preocupação dos cientistas é cruzar limiares irreversíveis. A própria Amazônia, se o desmatamento e o aquecimento continuarem, pode atingir um “ponto de inflexão”, iniciando um processo de savanização que liberaria bilhões de toneladas de carbono na atmosfera, acelerando ainda mais o aquecimento global.

As negociações que se iniciam em Belém não são sobre siglas ou documentos; são sobre a viabilidade da vida como a conhecemos. A expectativa para os próximos dias é de debates intensos sobre financiamento (quem paga pela transição energética e pela adaptação) e ambição. As decisões, ou a falta delas, tomadas às margens do Rio Amazonas definirão o mundo que será herdado por nossos filhos e netos.

(Da redação. Imagem gerada por I.A.)