CRISE DA ENEL EM COTIA E REGIÃO: ESTADO, UNIÃO E PREFEITURA DE SP PEDEM CADUCIDADE DE CONTRATO

Em uma movimentação conjunta inédita, os governos estadual, federal e a prefeitura da capital paulista anunciaram, nesta terça-feira (16/12/2025), que solicitarão à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a decretação da caducidade do contrato da Enel. A medida visa extinguir a concessão da empresa, que atende 24 municípios da Região Metropolitana, incluindo a capital e cidades como Cotia.
A decisão ocorre em um momento crítico. Desde o último dia 9 de dezembro, um evento climático severo causou a queda de árvores e destruição de postes, deixando cerca de 2,2 milhões de clientes sem luz em toda a concessão.
Impacto em Cotia: Residências sem energia
Embora a Enel não tenha divulgado um boletim individualizado por bairro em tempo real para Cotia nesta última atualização, o levantamento estadual aponta que a cidade está inserida no grupo de municípios da Grande São Paulo que ainda enfrenta bolsões de desabastecimento.
- Unidades afetadas: Estima-se que, no pico da crise, milhares de residências em Cotia e municípios vizinhos foram atingidas.
- Previsão de restabelecimento: De acordo com o histórico da última semana e os relatórios da Arsesp mencionados pelo governador, parte dos consumidores enfrentou mais de cinco dias de interrupção. O governo trabalha com a expectativa de que o serviço seja normalizado totalmente nas próximas horas, porém, o pedido de caducidade fundamenta-se justamente na demora inaceitável para a recomposição da rede em eventos deste porte.
Motivos para o rompimento
O governador Tarcísio de Freitas classificou a situação como “insustentável”, apresentando dados que comprovam a degradação do serviço nos últimos cinco anos:
- Corte de Pessoal: A Enel reduziu seu quadro de funcionários em 51,55% no período, precarizando a capacidade de resposta a emergências.
- Histórico de Falhas: Sete de 11 Planos de Resultados apresentados pela empresa foram reprovados pela Aneel.
- Multas Ineficazes: Mais de R$ 400 milhões em multas foram aplicados nos últimos sete anos, sem que houvesse melhora na qualidade técnica.
“Não há outra alternativa senão ir para a medida mais grave que existe no contrato de concessão, que é a decretação de caducidade”, afirmou Tarcísio.
O que acontece agora?
O pedido de caducidade agora segue para análise da Aneel. Se aceito, o processo pode levar à substituição da concessionária por uma nova empresa ou intervenção federal. A medida também impede que a Enel pleiteie a renovação automática de seu contrato, que já estava sob forte questionamento público e político.
Para os moradores de Cotia que ainda enfrentam falta de energia, a orientação é manter o registro de protocolos junto à distribuidora e à Arsesp para fins de futuras indenizações por danos em aparelhos elétricos ou perda de alimento.
(Da redação, com informações da Ag. Brasil e Ag. SP. Imagem Paulo Pinto, Ag. Brasil)





