MORRE LUIS FERNANDO VERISSIMO, AOS 88 ANOS

A literatura brasileira perde uma de suas vozes mais singulares. Morreu neste sábado, 30 de agosto, em Porto Alegre, o escritor Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos. Mestre da crônica, do humor e da ironia, ele nos deixa com um legado de textos que, com precisão e leveza, traduziram o Brasil e o cotidiano.
Filho do também escritor Erico Verissimo, ele cultivou o apreço pelas palavras, mas o seu grande amor foi o jazz. “Um ofício que deu certo” era como ele definia a escrita, preferindo o saxofone, sua paixão desde a adolescência vivida nos Estados Unidos. A música era o refúgio do homem tímido e de poucas palavras, enquanto a escrita se tornou a ferramenta com a qual ele conquistou milhões de leitores.
O cronista do cotidiano
Verissimo foi um dos maiores expoentes da crônica brasileira, um gênero que, para ele, representava a “liberdade absoluta”. Com sua ironia refinada, ele conseguia sintetizar questões filosóficas e o mais banal dos temas, criando uma ponte entre o humor e a crítica social. Foi nas crônicas que ele deu vida a personagens imortais, como o Analista de Bagé, a Velhinha de Taubaté e o detetive Ed Mort, que se enraizaram no imaginário popular.
Sua carreira no jornalismo começou como copidesque e, em 1969, aos 33 anos, ele abraçou a crônica. Escreveu para o GLOBO, “O Estado de S. Paulo” e a “Zero Hora”, além de ter criado as tirinhas humorísticas “As Cobras” — uma forma de driblar a censura da ditadura militar com diálogos simples e profundos.
Ao longo de sua vida, ele publicou mais de 70 livros, vendeu mais de cinco milhões de exemplares e teve suas obras traduzidas para mais de 15 países. Entre seus romances, “O clube dos anjos” (1998) era o que considerava seu trabalho “mais bem acabado”.
Afastado da escrita desde 2021, devido a problemas de saúde, Verissimo passou os últimos anos de sua vida lidando com as sequelas de um AVC isquêmico e com o mal de Parkinson. Mesmo com a saúde fragilizada, sua obra se mantém viva, ecoando a voz de um dos mais importantes escritores de sua geração.
Luis Fernando Verissimo deixa a esposa, Lúcia, e os três filhos, Mariana, Fernanda e Pedro. Se o ofício de escritor “deu certo”, a imortalidade de sua obra é a prova de que ele não era apenas um cronista, mas um artista. Deixou as palavras para o desfrute dos leitores e, talvez, guardou para si os sons que sempre o acompanharam.
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(Da redação. Foto: Divulgação)





