
Apesar de serem maioria entre a população, mulheres têm baixa representação no Congresso Nacional – a afirmação é dos próprios parlamentares: para a ONU, mulheres na política levam a sociedades mais pacíficas
Apesar de serem a maioria da população e dos eleitores, as mulheres têm, atualmente, baixa representação no Congresso: são 15% na Câmara e 13% no Senado.
Para discutir formas de ampliar essa participação de maneira segura para as mulheres, as Secretarias da Mulher da Câmara e do Senado realizaram um seminário, no dia 30 de maio, com a participação da sociedade civil.
A ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia afirmou que a desigualdade é uma violência e fere a Constituição Federal, que prevê igualdade de direitos para todos os brasileiros. Ela acredita que é preciso investir na educação e na informação para as mulheres.
“Quem fala que mulher não vota em mulher contou para a mulher que ela pode votar? Que ela não precisa ficar dentro de casa? Contou para todas e para os homens que a mulher não pode sofrer violência, nem física, nem psicológica, nem política, nem econômica? A Constituição brasileira erigiu o direito à informação como um dos direitos fundamentais. Quem não sabe dos seus direitos não reivindica os direitos que nem sabe que tem”, disse.
EMPENHO E LUTA
A coordenadora da bancada feminina da Câmara, deputada Celina Leão (PP-DF), afirmou que as mulheres precisam de pouco para conquistar espaço nas esferas de poder, mas mesmo isso requer empenho e luta.
“As mulheres ainda têm sim uma sub-representação na Câmara, basta se dizer quais delas são líderes de partido. Na estrutura do Congresso, as tomadas de decisões estão nas lideranças partidárias e pouquíssimas mulheres participam desse colégio de líderes”, apontou.
A líder da bancada feminina do Senado, Eliziane Gama (Cidadania-MA), concorda. Para ela, é preciso garantir uma maior participação das mulheres já nas eleições deste ano e, para isso, é preciso o empenho de todos os partidos.
PREJUÍZOS
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou que a sub-representação das mulheres, além de injusta, causa grandes prejuízos para o País.
“Verdadeiramente acredito que a maior participação das mulheres, além de fazer avançar as pautas femininas, traz um novo olhar para a política como um todo, um jeito diferente de se fazer a política no dia a dia.”
Já a procuradora da Mulher da Câmara, deputada Tereza Nelma (PSD-AL), destacou que a participação feminina tem que ser efetiva e não de fachada. A determinação legal de 30% do tempo dos partidos para as candidaturas femininas fez com que a representatividade das mulheres aumentasse em 50% nas eleições de 2018.
Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Anastácia Divinskaya, o País precisa implementar as políticas garantidoras de maior participação feminina nos espaços de poder. Ela lembrou que, nas Américas, atualmente o Brasil está à frente apenas de Belize, das Bahamas e do Haiti.
MULHERES LEVAM A SOCIEDADES MAIS PACÍFICAS, DIZ ONU
Ex-presidente da Casa, María Fernanda Espinosa, falou à ONU News durante passagem por Nova Iorque, onde se reuniu com o atual presidente, Abdulla Shahid, e outros atores junto às Nações Unidas sobre necessidade de aumentar presença de mulheres em cargos eletivos.
Neste ano de 2022, dezenas de países realizam eleições legislativas e presidenciais. Para a ONU Mulheres, mais uma vez, surge a chance, em várias partes do mundo, de aumentar a presença feminina em cargos eletivos.
Em todo o globo, apenas 25,5% dos assentos em Parlamentos são ocupados por mulheres. Os homens detêm ali três de cada quatro cadeiras.
O desnível na representação foi debatido em março deste ano durante a 66ª. Sessão sobre o Estatuto da Mulher, CSW, nas Nações Unidas.
Vários representantes dos países-membros da ONU reconheceram que as mulheres sofrem mais hostilidade que homens, o que acaba desencorajando a participação delas na política.
Um outro problema são as plataformas digitais e o discurso de ódio direcionado a mulheres na política.
Segundo Maria Fernanda, “estou convencida de que se tivermos mais mulheres ministras da Defesa e mais mulheres na política, teremos sociedades pacíficas e menos guerras. Não conheço na história grandes guerras que foram iniciadas por mulheres. Nós somos, naturalmente, arquitetas de pontes, de diálogo, de diplomacia.”
Para a ex-presidente da Assembleia Geral, que também foi chanceler e embaixadora, a participação de mulheres ajuda a construir sociedades mais pacíficas.
Segundo a União Interparlamentar, até 1 de janeiro de 2021, apenas 5,9% dos chefes de Estado eram mulheres ou seja 9 de 152. Já os governos liderados por mulher representavam 6,7% ou seja 13 de 193.
Para a ex-Secretária Geral, não haverá avanços com a Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável enquanto as mulheres não assumirem seu espaço em tomadas de decisão e poder.
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