O ‘GOLPE DO CHAPOLIN’: CRIMINOSOS BLOQUEIAM TRAVAS E LIMPAM VEÍCULOS SEM ARROMBAMENTO

Dispositivo eletrônico impede o fechamento de portas em bairros nobres e exige atenção redobrada dos motoristas ao estacionar
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Uma nova modalidade de crime tem desafiado a segurança de proprietários de veículos em áreas valorizadas de São Paulo e se espalhado por diversas regiões do país. Trata-se do “golpe do Chapolin”, técnica que utiliza um dispositivo eletrônico capaz de interferir no sinal dos controles remotos automotivos, impedindo que as portas sejam efetivamente travadas.

De acordo com reportagem do jornalista José Maria Tomazela, do jornal O Estado de S. Paulo, a ação é discreta e baseia-se na “astúcia” dos criminosos — o que deu origem ao apelido do aparelho, em referência ao personagem Chapolin Colorado. O dispositivo, que visualmente se assemelha a um controle de portão comum, emite ondas de rádio que neutralizam o comando enviado pela chave do veículo.

Mecanismo de Ação e Subnotificação

Para que o golpe funcione, o criminoso precisa estar próximo ao veículo e acionar o “Chapolin” no exato momento em que o dono aperta o botão de trava. O motorista muitas vezes ouve o som característico do travamento ou vê o piscar das luzes, mas a interferência impede que o mecanismo físico se feche.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) ressalta que a identificação estatística desses casos é complexa. Como as ocorrências são registradas formalmente como furtos, sem um campo específico para o método utilizado, os dados acabam diluídos. No entanto, investigações de campo e relatos em redes sociais confirmam a incidência em bairros como Jardim Paulista, Vila Mariana, Brooklin, Perdizes e Santa Cecília.

Alvos e Prejuízos

O foco dos criminosos são veículos de alto valor, onde há maior probabilidade de encontrar objetos caros como notebooks, tablets e mochilas de luxo. Além do furto de bens, em situações mais graves, os criminosos chegam a levar o próprio automóvel ou utilizam dispositivos eletrônicos encontrados no interior para acessar contas bancárias e realizar transferências imediatas.

Expansão Nacional

O fenômeno não é exclusivo da capital paulista. Operações policiais recentes demonstram a capilaridade dessa prática:

  • Rio Grande do Sul: A Polícia Federal concluiu a “Operação Chapolin”, indiciando 15 pessoas por furtos e clonagem de caminhonetes.

  • Amazonas: Em Manaus, suspeitos foram detidos por atuar em estacionamentos de shoppings e centros comerciais.

  • Outras regiões: Prisões semelhantes foram efetuadas em estados como Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Paraná.

Como se proteger

Diante da sofisticação do golpe, autoridades de segurança e especialistas recomendam uma mudança de hábito simples, mas eficaz:

  1. Conferência manual: Nunca confie apenas no sinal sonoro ou luminoso. Após acionar o controle, teste fisicamente a maçaneta da porta para garantir que está trancada.

  2. Atenção ao redor: Observe se há pessoas suspeitas paradas próximas ao veículo com as mãos nos bolsos ou manuseando pequenos dispositivos no momento em que você desembarca.

  3. Objetos à vista: Evite deixar mochilas, eletrônicos ou sacolas de compras visíveis sobre os bancos, o que reduz o interesse dos criminosos.

(Da redação, baseada em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo/José Maria Tomazela/Imagem criada por I.A.)