REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE S. PAULO INICIOU EM 23 DE MAIO DE 1932

Há 90 anos, no dia 23 de maio de 1932, tinha início o movimento paulista por uma nova Constituição, com morte de quatro jovens; foi o estado de São Paulo contra o Brasil – e o objetivo foi alcançado, após muitas luta e sangue derramado
Um pouco de história: em 1930, Getulio Vargas tomou o poder pelas armas – e São Paulo se encontrava em situação de inferioridade em relação à política brasileira, porque o governo central nomeava interventores de sua confiança para dirigir os paulistas.
Descontente, os paulistas começaram a fazer várias manifestações contra o governo federal, com grande participação popular e discursos inflamados. Em 22 de maio de 1932, as manifestações nas ruas de São Paulo contra o governo Vargas tomaram vulto. O ministro da Justiça, Oswaldo Aranha, foi enviado para a capital, para conciliar os interesses de Getúlio Vargas na escolha de um novo secretariado.
A intromissão resultou em violentas manifestações, que conquistaram a adesão de integrantes do Exército e da Força Pública (hoje Polícia Militar). Os secretários nomeados eram de inteira confiança do interventor, o embaixador Pedro de Toledo.
A derrota da missão de Oswaldo Aranha provocou na noite do dia 23 de maio exultantes manifestações pela vitória alcançada. A população saiu às ruas do centro da cidade, onde ocorreram atritos com os partidários do ditador, que foram agredidos na via pública.
REVOLTA POPULAR
Jornais governistas foram empastelados e incendiados, mas o fato mais grave foi o ataque à sede da Legião Revolucionária, pois a reação dos legionários, em defesa do prédio e de suas vidas, resultou em vários feridos e na morte de quatro jovens, cujos nomes resultaram na formação da sigla MMDC – homenagem a Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.
Por meio do MMDC, o movimento paulista conspirou contra Getúlio Vargas. Na noite da sexta-feira, 8 de julho, com os ânimos exaltadíssimos, populares manifestaram-se pela revolução, com a adesão das tropas federais da 2ª Região Militar e da Força Pública.
Na tarde do dia seguinte, 9 de julho, assumiu interinamente o comando das tropas o coronel Euclydes Figueiredo, que recebeu ordens do general Isidoro Dias Lopes, líder da revolta de 1924. Em poucas horas, o controle pelos revolucionários paulistas era total. O MMDC ocupou a faculdade de Direito do Largo de São Francisco. De lá saiu o primeiro contingente de civis armados, que lutaram ao lado das tropas regulares do Exército e da milícia paulista.
DESFECHO
Na tarde de 10 de julho, em frente ao Palácio dos Despachos, situado no Pátio de Colégio, o povo paulista e as tropas proclamaram o interventor Pedro de Toledo governador do Estado. Através do Decreto 5.627-A/1932, foi oficializado o MMDC como entidade, sendo presidida pelo secretário da Justiça do Estado, o jurista Waldemar Ferreira.
Depois de quase de três meses de luta, sozinho contra os demais estados, sem os reforços e adesões que haviam sido prometidos e sem condições materiais para continuar, completamente só e sitiado, São Paulo se rendeu em 2 de outubro de 1932.
A Constituinte seria eleita em 3 de maio de 1933, e a nova Carta Magna, promulgada em 16 de julho de 1934. A luta dos paulistas não foi em vão.
As primeiras vítimas de 1932, ao contrário do que muitos escrevem e dizem até os dias atuais, não eram estudantes. Em memória dos quatro heróis que tombaram em maio de 1932, suas iniciais formaram a sigla MMDC e, posteriormente à criação da entidade, faleceu a quinta vítima dos trágicos acontecimentos, em 12 de agosto de 1932: Alvarenga.
Os restos mortais dos grandes mártires da Revolução Constitucionalista de 1932 descansam hoje no Monumento Mausoléu no obelisco do Parque do Ibirapuera, assim como lá repousam soldados que lutaram durante a revolução, que durou quase três meses, mobilizou o Brasil contra São Paulo e ceifou muitas vidas.
Os cinco heróis de 1932 foram homenageados com nomes de ruas no bairro do Butantã, na capital, e pela Lei 13.840/2009 que instituiu o Dia de Orlando Alvarenga e dos Heróis Anônimos da Revolução Constitucionalista de 1932.
(Fonte: ALESP/Antônio Sérgio Ribeiro)
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