SUS INICIA TRANSIÇÃO PARA INSULINA MAIS MODERNA E DE AÇÃO PROLONGADA

Substituição da NPH pela Glargina começa em fase piloto; novo medicamento exige apenas uma aplicação diária e beneficia crianças e idoso
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O Ministério da Saúde deu início a um avanço histórico no tratamento do Diabetes Melito na rede pública. Desde a última sexta-feira (6), o Sistema Único de Saúde (SUS) começou o processo de transição da insulina humana (NPH) para a insulina glargina, um medicamento análogo de ação prolongada considerado muito mais moderno e eficiente para o controle glicêmico.

A mudança visa facilitar a rotina dos pacientes, já que a glargina mantém os níveis de glicose estáveis por até 24 horas, permitindo que o usuário faça apenas uma única aplicação por dia, ao contrário das múltiplas doses muitas vezes exigidas pela NPH.

Projeto-Piloto e Público-Alvo

Nesta primeira fase, o governo federal selecionou quatro unidades da federação para o projeto-piloto: Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal. A expectativa é que mais de 50 mil pessoas sejam atendidas de imediato. Os grupos prioritários definidos para esta transição são:

  • Crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1;
  • Idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2.

Após a avaliação dos resultados nesses territórios e a conclusão dos treinamentos das equipes de Atenção Primária, o Ministério da Saúde deve divulgar o cronograma de expansão para os demais estados, incluindo São Paulo.

Economia e Produção Nacional

A iniciativa também representa um alívio financeiro indireto e maior segurança para o país. Na rede privada, o tratamento com a insulina glargina pode custar até R$ 250,00 para um período de apenas dois meses.

Além da oferta gratuita, o Brasil celebrou parcerias tecnológicas (PDP) entre Bio-Manguinhos/Fiocruz, a empresa brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee para que a tecnologia seja transferida ao país. A meta é atingir a capacidade de produção de 36 milhões de tubetes por ano até o fim de 2026, garantindo a soberania nacional e evitando o risco de desabastecimento global.

Como funciona a transição?

A substituição não será imediata para todos os pacientes. Ela ocorrerá de forma gradual e dependerá da avaliação individual de cada caso pelas equipes de saúde. Atualmente, os profissionais dos estados selecionados passam por formações sobre o uso das canetas aplicadoras e a dosagem correta do novo insumo.

O acompanhamento continuará sendo feito pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que seguem como a porta de entrada para o diagnóstico e tratamento integral da doença.

(Da redação, com informações do Ministério da Saúde. Imagem: Foto: Rafael Nascimento/MS)