PLATAFORMA GRATUITA AUXILIA NO FIM DA COMPULSÃO POR JOGOS

Dados revelam que 41% dos usuários da ferramenta de proteção justificam a decisão por perda de controle do jogo e impactos na saúde mental
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Diante do avanço do mercado de jogos online, o governo federal disponibiliza uma importante ferramenta de proteção ao cidadão: a Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Desenvolvida pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, o sistema funciona de forma unificada e permite que, com uma única solicitação atrelada ao CPF, o usuário bloqueie voluntariamente o seu acesso a todas as casas de apostas autorizadas a operar no país. Além de interromper o acesso às contas e impedir novos cadastros, o mecanismo suspende automaticamente o envio de publicidades direcionadas sobre o tema.

Para utilizar o serviço ou obter orientações de acolhimento médico, o cidadão pode entrar diretamente no portal do governo por meio deste link: Acesse a Plataforma de Autoexclusão de Sites de Apostas.

Balanço recente aponta que mais de 574 mil pessoas já recorreram à ferramenta desde o seu lançamento, ocorrido em dezembro de 2025. Desse total de cadastrados, 207 mil usuários (o equivalente a 41%) apontaram expressamente a perda de controle sobre o jogo e os consequentes danos à saúde mental como a principal razão para solicitar o bloqueio emergencial.

Entre os demais motivos formais informados para a consolidação da autoexclusão, constam:

  • 18% dos usuários buscaram prevenir o uso indevido e o vazamento de seus dados pessoais;

  • 14% optaram por não declarar o motivo da saída;

  • 13% afirmaram tomar a decisão de forma estritamente voluntária;

  • 12% apontaram dificuldades e problemas financeiros graves.

Durante o processo de cadastro na plataforma, os cidadãos podem estipular por quanto tempo pretendem permanecer distantes dos ambientes virtuais de apostas. Até o momento, a grande maioria — cerca de 69% das pessoas — optou pelo bloqueio por tempo indeterminado. Já os 31% restantes escolheram prazos fixos específicos, sendo o período de um ano a escolha mais recorrente. A permanência mínima obrigatória fora dos sistemas é de um mês.

Mecanismos de Apoio e Investimento em Pesquisa

Para além do bloqueio técnico, a página reúne diretrizes voltadas à saúde financeira e mental, disponibilizando um questionário elaborado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e um “Autoteste do Jogo” estruturado pelo Ministério da Saúde, que auxilia o internauta a reconhecer precocemente sinais de alerta e dependência.

Paralelamente às estatísticas de bloqueio, o Ministério da Saúde anunciou o repasse de R$ 6 milhões, por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), para o desenvolvimento da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo epidemiológico será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e tem como objetivo mensurar cientificamente o impacto cotidiano das apostas na população brasileira.

Onde Buscar Ajuda Especializada

O acolhimento para indivíduos que identificarem prejuízos decorrentes de jogos ocorre de maneira integrada na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) funcionam em regime de portas abertas em todo o território nacional.

Adicionalmente, canais digitais como o Meu SUS Digital e a Ouvidoria do SUS realizam triagens e orientações. Em caráter inédito, o SUS passou a ofertar um serviço de teleatendimento especializado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, com capacidade para assistir até 650 pacientes por mês.

Fontes: Agência Brasil e Agência Gov/Ministério da Saúde/Imagem Freepik