
Enquanto o Brasil enfrenta um aumento alarmante no número de casos de diabetes tipo 2 — com mais de 10% da população brasileira vivendo com a condição, segundo dados recentes da pesquisa Vigitel Brasil 2023 —, um risco associado, mas pouco discutido, vem à tona: a sarcopenia. Caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular, a sarcopenia pode agravar o quadro do diabetes e comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Segundo o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, essa é uma combinação perigosa, especialmente em pessoas com mais de 50 anos. “Pessoas com diabetes tipo 2 apresentam maior risco de desenvolver sarcopenia. Essa condição pode comprometer a mobilidade, aumentar o risco de quedas e tornar o tratamento da própria diabetes mais desafiador”, alerta o especialista.
Um ciclo vicioso de perda muscular e glicemia descontrolada
A sarcopenia em pacientes diabéticos é impulsionada por diversos fatores, incluindo resistência à insulina, inflamação crônica e sedentarismo. Com o tempo, a perda de massa muscular se torna um problema central, pois o músculo é um dos principais tecidos responsáveis pela captação de glicose no organismo.
O Dr. Carlos explica que essa perda muscular cria um ciclo vicioso: “Quanto menos músculo, menor a capacidade de metabolizar a glicose de forma eficiente. Isso pode agravar o quadro da diabetes, levando a uma piora no controle glicêmico e aumentando o risco de complicações.”
Diagnóstico precoce e cuidados multifatoriais
Para evitar esse cenário, o médico destaca a importância de um acompanhamento que vá além do monitoramento da glicemia. A avaliação periódica da composição corporal é essencial, principalmente em pacientes com mais de 50 anos. A sarcopenia, muitas vezes silenciosa, só se manifesta quando o paciente começa a ter dificuldades em tarefas simples como subir escadas ou se levantar da cadeira.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, a sarcopenia é reversível, desde que seja diagnosticada precocemente. O tratamento ideal é uma abordagem multifatorial que inclui:
- Alimentação: Uma dieta rica em proteínas de alta qualidade.
- Atividade física: Exercícios de resistência, como musculação, são cruciais para manter a massa muscular.
- Suplementação: Em alguns casos, suplementos com aminoácidos essenciais, como leucina, ou combinações com vitaminas do complexo B e D podem ser indicados, sempre com orientação médica.
O Dr. Carlos conclui com um apelo claro: o cuidado com a musculatura não deve ser visto como algo estético, mas como uma necessidade clínica. O engajamento do paciente no próprio plano de cuidado é fundamental para preservar a força, a autonomia e a qualidade de vida, especialmente em grupos mais vulneráveis.
(Fonte Hospital Osvaldo Cruz. Imagem Freepik)
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