RAPOSO TAVARES É ELEITA A MELHOR RODOVIA DO BRASIL EM TRECHO DO INTERIOR, ENQUANTO CAPITAL E COTIA SOFREM COM CAOS DIÁRIO

Relatório da CNT aponta trecho entre Ourinhos e Presidente Epitácio como referência em infraestrutura, mas ignora gargalos críticos e falta de soluções para o tráfego na Região Metropolitana.
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Pelo segundo ano consecutivo, um trecho da Rodovia Raposo Tavares (SP-270) foi classificado como o melhor do Brasil na 30ª edição da Pesquisa CNT Rodovias. A avaliação, publicada originalmente pelo Governo do Estado de São Paulo, foca exclusivamente nos 271 quilômetros administrados pela CART Concessionária de Rodovias, entre Ourinhos e Presidente Epitácio.

O ranking da Confederação Nacional do Transporte (CNT) baseia-se em três pilares: condições do pavimento, qualidade da sinalização e geometria da via. Nesse recorte específico do interior paulista, a rodovia obteve pontuação máxima, destacando-se pela duplicação de 152 km e pela redução de acidentes graves após investimentos em segurança viária.

O contraste risível com a realidade metropolitana

Embora o governo celebre o padrão técnico elevado do interior, a classificação da Raposo Tavares como “melhor rodovia do Brasil” soa risível para os milhares de motoristas que utilizam a via na Região Metropolitana de São Paulo.

O trecho que compreende a ligação entre Cotia e a capital paulista insere-se entre os piores do país em termos de trafegabilidade. O cotidiano dos usuários desse segmento é marcado por:

  • Congestionamentos Crônicos: O fluxo de veículos supera amplamente a capacidade da via, gerando paradas que se estendem por horas.

  • Falta de Providências: Diferente do ciclo de obras celebrado no interior, o trecho metropolitano sofre com a ausência de soluções eficazes a curto prazo para desafogar o trânsito.

  • Insegurança e Desconforto: Enquanto o interior conta com monitoramento e bases de atendimento modernas, o trecho Cotia-São Paulo luta contra gargalos logísticos que elevam o estresse e os custos operacionais de quem precisa da via diariamente.

Corredor estratégico com duas faces

A Raposo Tavares é, de fato, um eixo logístico fundamental para o escoamento da produção industrial e agrícola entre São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. No entanto, a infraestrutura que reduz custos no interior desaparece ao chegar na capital.

Se por um lado a duplicação e os investimentos de R$ 600 milhões transformaram a “rodovia da morte” em referência técnica entre Ourinhos e Presidente Epitácio, por outro, a gestão pública falha em apresentar o mesmo planejamento para os trechos urbanos mais densos, onde a mobilidade permanece estagnada e sem perspectiva de melhora imediata. N.R. Para dar uma nota ótima ou péssima para uma rodovia, deveria ser levada em consideração TODA A EXTENSÃO dela, e não apenas um determinado trecho, como fez a CNT Rodovias e divulga, com entusiasmo, o Governo do Estado. Afinal, uma mação podre pode contaminar todas as outras…