ESPECIALISTA ESCLARECE MITOS SOBRE PRÁTICA ESPORTIVA E PREVENÇÃO DE LESÕES

Dor, whey protein, tênis caro e corrida estão entre os temas mais questionados por atletas amadores; ortopedista alerta para os perigos de jogar futebol descalço
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Muita gente acredita que investir em um tênis caro garante proteção contra lesões, que sentir dor depois do treino é sinal de resultado ou que todo mundo que pratica atividade física precisa tomar whey protein. Mas será que isso é verdade?

Entre tantas informações que circulam sobre treino, suplementação e equipamentos esportivos, muitos acabam seguindo orientações que não fazem sentido para o próprio corpo. O ortopedista e traumatologista do esporte, Dr. Bruno Canizares, explica por que algumas dessas crenças são mitos e o que deve ser observado para treinar com mais segurança.

Mitos e Verdades no Esporte

  • Dor depois do treino é sinal de que funcionou? Nem sempre. Segundo o especialista, existe uma diferença entre o desconforto muscular esperado e a dor que indica problema. “Quando a dor surge durante o exercício, é pontual, localizada ou não melhora após 48 a 72 horas, isso já não é normal”, explica.
  • Tênis caro garante menos lesão? Mito. “O tênis precisa estar adequado à biomecânica da pessoa. O preço, por si só, não garante proteção”, afirma o médico, reforçando que técnica e fortalecimento são mais determinantes.
  • Correr na esteira machuca menos que na rua? A taxa de lesões é semelhante. O risco está no volume de treino e na falta de progressão adequada, não no local.
  • Whey protein é obrigatório? Não. É uma forma prática de ingerir proteína, mas quem mantém uma alimentação equilibrada muitas vezes não precisa suplementar.
  • Anti-inflamatório atrapalha o resultado? O uso pontual não compromete o ganho muscular, mas a automedicação frequente para mascarar dores persistentes é perigosa e esconde lesões sérias.

Entrevista com Especialista: Riscos no Futebol Amador

Confira abaixo as orientações do Dr. Bruno Canizares sobre a prática do futebol, especialmente entre os mais jovens:

  1. Quais são os principais riscos ortopédicos do futebol praticado descalço em ruas, campinhos e quadras escolares, especialmente entre crianças e adolescentes? R: Jogar futebol descalço em rua, campinho ou quadra de escola aumenta bastante o risco de machucar, principalmente em crianças e adolescentes. O pé fica sem proteção, então é comum acontecer corte e perfuração por vidro, pedra, prego ou farpa. Também vejo muita pancada no antepé e nos dedos, com dor forte, unha machucada e até fratura. Outro problema frequente é torção de tornozelo, porque o chão costuma ser irregular e a criança muda de direção rápido. Em quadra de cimento/asfalto ainda tem muito atrito e impacto, o que pode causar ferida na pele e dor no pé depois do jogo.
  2. Jogar futebol sem calçados aumenta ou reduz o risco de lesões em comparação ao uso de tênis ou chuteiras? Em quais situações o perigo é maior? R: Na maioria das vezes, jogar descalço aumenta o risco de lesão quando comparo com usar um calçado adequado. O principal motivo é que o pé fica exposto a cortes, perfurações, pisões e pancadas, além de torções quando o piso é ruim. O perigo fica maior quando é rua ou quadra dura, quando o campinho tem buraco/desnível, e quando o jogo é mais disputado e com contato. Usar tênis ou chuteira certa para o tipo de piso costuma proteger bem mais, mas tem um detalhe: se o calçado for inadequado (por exemplo, trava errada para quadra), ele pode prender no chão e também aumentar o risco de torção. Em resumo, quanto pior o piso e mais forte o jogo, menos seguro é jogar descalço.

Fonte: Dr. Bruno Canizares (Ortopedista e Traumatologista do Esporte. Imagem gerada por I.A. pelo CTD)