ANVISA LIMITA DOSE DE CÚRCUMA EM SUPLEMENTOS

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta quarta-feira (22), novas regras rigorosas para a comercialização de suplementos alimentares à base de cúrcuma. A decisão foi motivada por alertas de autoridades sanitárias internacionais sobre riscos raros, porém graves, de inflamação e toxicidade no fígado (hepatite medicamentosa) associados ao consumo de doses elevadas do composto.

A nova norma altera regulamentações que vigiam desde 2018 e estabelece, pela primeira vez no Brasil, limites claros para o consumo diário de curcuminoides. As empresas do setor terão um prazo de seis meses para adaptar as fórmulas e as embalagens às novas exigências.

Novos limites e advertências

Com a mudança, os suplementos destinados a adultos devem respeitar os seguintes parâmetros:

  • Mínimo de 80 mg de curcuminoides por dia;

  • Máximo de 130 mg de curcumina;

  • Máximo de 120 mg de tetraidrocurcuminoides.

Além da dosagem, os rótulos deverão obrigatoriamente exibir um alerta destacando que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas.

O risco do uso indiscriminado

Especialistas alertam que existe uma percepção equivocada de que produtos naturais não possuem contraindicações. Para Pedro Bertevello, cirurgião do aparelho digestivo da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o perigo reside no uso de doses concentradas sem orientação médica.

O problema é agravado em formulações que buscam aumentar a absorção da curcumina pelo organismo, o que pode sobrecarregar o fígado. Países como Canadá, França e Austrália já haviam registrado casos de efeitos adversos, o que embasou a precaução da agência brasileira.

Tempero está liberado

A Anvisa ressalta que a nova regulamentação não se aplica à cúrcuma utilizada como tempero na alimentação. Nas quantidades habituais da culinária, a planta é considerada segura e mantém suas propriedades antioxidantes sem oferecer riscos à saúde. A restrição foca exclusivamente nas cápsulas e extratos, que oferecem doses muito superiores às encontradas na dieta comum.


Com informações e imagem de Guia da Farmácia