HANTAVÍRUS: ENTENDA O QUE ESTÁ ACONTECENDO

Um surto de hantavírus registrado em um navio que partiu da Argentina colocou autoridades sanitárias internacionais em alerta e reacendeu dúvidas sobre os riscos da doença em outros países, incluindo o Brasil. O episódio ganhou repercussão mundial após passageiros apresentarem sintomas compatíveis com hantavirose durante uma expedição marítima próxima à Patagônia argentina.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional e autoridades de saúde locais, o caso passou a ser monitorado devido à possibilidade de envolvimento da variante Andes do hantavírus, conhecida por raros registros de transmissão entre pessoas. Embora a doença seja considerada rara, ela apresenta alta taxa de mortalidade em casos graves e já possui registros no território brasileiro. Especialistas destacam, porém, que o risco de um grande surto no Brasil permanece baixo.
O QUE ACONTECEU NO NAVIO QUE SAIU DA ARGENTINA?
O caso ocorreu durante uma viagem do navio de expedição MV Hondius, que havia partido da cidade de Ushuaia, no extremo sul da Argentina. Passageiros começaram a apresentar sintomas compatíveis com hantavirose após o embarque, o que levou autoridades sanitárias a iniciarem investigações epidemiológicas.
De acordo com informações preliminares, a suspeita é que parte dos infectados tenha sido exposta ao vírus antes da viagem, possivelmente em regiões rurais da Patagônia, onde há circulação conhecida do hantavírus Andes. O episódio chamou atenção internacional porque a variante Andes é uma das poucas associadas a possíveis casos de transmissão interpessoal, embora essa forma de disseminação seja considerada rara.
MORTES E MONITORAMENTO
O surto associado ao navio MV Hondius registrou, até hoje (8), três mortes confirmadas e ao menos oito casos relacionados à investigação epidemiológica internacional. Segundo autoridades de saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), cinco casos já foram confirmados para hantavírus e outros três seguem sob investigação.
Equipes de vigilância sanitária monitoram passageiros e tripulantes em diferentes países após o desembarque. O governo do Reino Unido informou que outros dois britânicos tiveram infecção confirmada e um terceiro caso suspeito foi identificado na ilha de Tristão da Cunha.
O QUE É O HANTAVÍRUS E COMO ELE É TRANSMITIDO?
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. Em humanos, pode causar a hantavirose, que evolui para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), caracterizada por comprometimento respiratório intenso.
A principal forma de contágio ocorre pela inalação de partículas presentes na urina, saliva e fezes de roedores. O risco aumenta em:
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Limpeza de locais fechados por muito tempo;
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Contato com celeiros, depósitos e galpões;
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Atividades rurais em áreas infestadas.
SINTOMAS E GRAVIDADE
Os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras infecções:
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Febre e dores musculares;
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Dor de cabeça e mal-estar;
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Náusea e cansaço intenso.
Na fase grave, o paciente apresenta falta de ar intensa, acúmulo de líquido nos pulmões e queda da pressão arterial. A doença exige internação imediata, muitas vezes em UTI, pois não existe um antiviral específico ou vacina amplamente disponível.
RISCO DE SURTO NO BRASIL
O hantavírus já circula no Brasil desde a década de 1990, com casos esporádicos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No entanto, o risco de um surto urbano é considerado baixo, pois a transmissão depende do contato direto com o habitat dos roedores silvestres.
PREVENÇÃO
A prevenção foca em evitar o contato com os roedores:
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Manter ambientes limpos e ventilados;
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Vedar frestas e armazenar alimentos corretamente;
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Nunca varrer a seco locais com sinais de infestação (use solução desinfetante para umedecer o local antes da limpeza).
Fontes: Gov.Br, The Guardian, Reuters, OMS, G1 e Washington Post.





