ENEM: VEJA OS TEMAS DE LÍNGUA PORTUGUESA MAIS COBRADOS NA PROVA E DICAS DE ESPECIALISTAS PARA SE PREPARAR

Disciplina compõe uma das áreas de maior peso no exame nacional e exige leitura estratégica e domínio das variações linguísticas por parte dos candidatos
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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se aproxima e a preparação para a prova de Língua Portuguesa exige atenção redobrada dos estudantes. A disciplina é um dos pilares do caderno de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias — composto por 45 questões —, além de ser a base para a produção da redação nota mil e ferramenta indispensável para a interpretação de todas as outras áreas do conhecimento.

Para ajudar na organização dos estudos, especialistas de colégios do grupo ISP (International Schools Partnership) explicam a estrutura do idioma sob a ótica do exame, apontam os conteúdos mais recorrentes e trazem estratégias práticas para o dia da prova.

A estrutura discursiva e as particularidades do português brasileiro

Embora carregue a fama de ser uma “língua difícil”, educadores apontam que essa percepção deve ser revista para o formato do Enem. A professora Janaína Arruda, da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), esclarece que a banca não foca na memorização mecânica de regras, mas sim no uso prático do idioma.

“Toda língua tem suas complexidades, mas a percepção de dificuldade no português pode estar associada à distância entre a norma culta e o idioma falado no cotidiano. É importante entender que dominar a língua para o Enem não é decorar regras isoladas, mas compreender como ela funciona e se aplica na prática discursiva.”

Conforme aponta Lino Gonzaga de Oliveira, da Brazilian International School (BIS), o português brasileiro se moldou a partir do encontro entre a base europeia e as fortes influências indígenas e africanas, gerando uma sonoridade e uma estrutura de comunicação próprias que são frequentemente exploradas nas questões de interpretação e patrimônio cultural.

O raio-x da prova: o que mais cai?

De acordo com as docentes, o caderno de Linguagens funciona como uma verdadeira “maratona de leitura”, testando a capacidade do candidato de compreender o uso da língua em diversas situações cotidianas, jornalísticas e artísticas.

A professora Juliane Pagamice, da Escola Internacional de Alphaville, em Barueri (SP), elenca os temas principais e a forma como costumam ser abordados:

  • Interpretação de Texto e Gramática Aplicada: A maior parte das questões exige leitura atenta aliada ao conhecimento das normas gramaticais. O candidato precisa extrair o sentido de um trecho e, simultaneamente, compreender a aplicação prática das regras do idioma.

  • Gêneros Textuais e Intenção Comunicativa: É recorrente o uso de charges, tirinhas, reportagens, crônicas, poemas e infográficos. A banca avalia se o aluno identifica o tipo de discurso (direto, indireto, narrativo) e os objetivos comunicativos de cada texto.

  • Variações Linguísticas e Funções da Linguagem: Questões que exploram as diferenças entre a linguagem formal e informal, as marcas regionais e sociais da fala, e as funções da linguagem (emotiva, apelativa, referencial, etc.).

  • Literatura Moderna e Contemporânea: Textos literários e letras de música são muito explorados, frequentemente estabelecendo relações com os processos sociais e a formação da cultura nacional.

  • Análise Sintática e Normas Padrão: Pontuação, crase, concordância e regência verbal e nominal aparecem diluídas em frases complexas, exigindo que o aluno reconheça as funções sintáticas em contextos reais.

Estratégias e dicas práticas para o dia do exame

Para enfrentar o volume de textos sem desgaste excessivo, Eloá Schuler, professora do colégio Progresso Bilíngue, de Santos (SP), recomenda o uso de técnicas de leitura estratégica:

  • Inverta a ordem: Leia o comando da questão antes de fazer a leitura do texto base. Saber exatamente o que a pergunta pede direciona o foco e economiza tempo.

  • Grife as palavras-chave: Destaque termos restritivos ou direcionadores no enunciado, como “exceto”, “principalmente”, “ironia” ou “figura de linguagem”.

  • Eliminação direta: Elimine de imediato as alternativas que pareçam absurdas ou totalmente distantes do tema central para reduzir suas opções de escolha.

  • Retorno pontual: Sempre volte ao parágrafo ou período indicado pelo enunciado para checar o contexto antes de marcar a resposta definitiva.

Como organizar a rotina de estudos

Para o professor Lino Gonzaga de Oliveira, a preparação eficiente deve ir além dos livros de gramática teórica. Ele sugere diversificar o repertório e criar hábitos dinâmicos de fixação de conteúdo:

  1. Consuma diferentes formatos: Inclua na sua leitura diária editoriais de jornais, anúncios publicitários, cartuns e até publicações em redes sociais para treinar a leitura rápida.

  2. Pratique esquemas sintáticos: Monte resumos visuais e mapas mentais sobre as funções dos termos na oração para memorizar as regras de regência e concordância.

  3. Refaça provas anteriores: Realize simulados cronometrados utilizando exames dos anos anteriores para se familiarizar com o padrão dos enunciados e gerenciar o tempo de prova.

  4. Revisões em blocos: Separe pequenas metas diárias para revisar tópicos específicos (um dia voltado para a crase, outro para figuras de linguagem, e assim por diante).

Fontes utilizadas: Brazilian International School (BIS), Escola Bilíngue Aubrick, Escola Internacional de Alphaville, Progresso Bilíngue Santos e ISP (International Schools Partnership).