SÃO CAETANO VOLTA A COBRAR PASSAGEM DE ÔNIBUS DE NÃO MORADORES

Falta de planejamento financeiro e explosão de 300% na demanda forçam prefeitura do ABC a recuar na gratuidade universal
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A cidade de São Caetano do Sul, na Região Metropolitana de São Paulo, voltou a cobrar tarifa de ônibus para passageiros que não residem no município a partir desta quarta-feira (15 de julho). A passagem para quem vem de fora custa R$ 5, pondo fim ao modelo de passe livre universal que estava em vigor na cidade desde outubro de 2023.

De acordo com a administração municipal de São Caetano, a mudança ocorre porque o programa de tarifa zero integral foi mal dimensionado em sua origem, sem a estimativa de fontes de receita suficientes para cobrir a gratuidade de todo o público.

Desequilíbrio entre demanda e frota

A prefeitura planejava um aumento de até 50% no número de usuários com a tarifa livre. No entanto, o fluxo real de passageiros explodiu em 300%:

  • Antes do programa: 20 mil usuários diários.
  • Após a gratuidade: 80 mil usuários diários.

Esse crescimento desmedido gerou intensas reclamações por parte dos usuários sobre a infraestrutura dos veículos, além de problemas graves de superlotação e insuficiência da frota. Segundo a gestão municipal, o cenário resultou em uma queda acentuada na qualidade do serviço prestado.

Restrição do benefício e cenário nacional

Com as novas regras, o direito ao passe livre passa a ser exclusivo para moradores da cidade que possuem cadastro no programa municipal. Os ônibus continuarão operando sem cobradores, e o pagamento da passagem para não residentes deverá ser feito em dinheiro diretamente ao motorista ou por meio de cartão eletrônico. Gratuidades garantidas por leis estaduais e federais, como a de idosos, permanecem inalteradas.

O recuo de São Caetano acompanha uma tendência nacional. Um levantamento da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transporte) apontou que pelo menos oito municípios brasileiros de pequeno e médio porte que haviam adotado a tarifa zero voltaram a cobrar passagem nos últimos anos devido a dificuldades financeiras. Metade dessas cidades está localizada no estado de São Paulo.