TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS AJUDA CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM PROCESSO DE ADOÇÃO A RECONSTRUIR VÍNCULOS E SUPERAR TRAUMAS

Crianças e adolescentes que passaram por situações de abandono, negligência, violência ou longos períodos de acolhimento institucional frequentemente enfrentam severos reflexos em sua saúde mental e na habilidade de confiar em outras pessoas. Diante dessa realidade, a Terapia Assistida por Animais (TAA) desponta como uma ferramenta inovadora e eficaz no Estado de São Paulo para restabelecer vínculos afetivos e viabilizar processos de adoção mais seguros e acolhedores.
O trabalho é desenvolvido pela organização social Natureza Conecta, sediada em Itu (SP). Na fazenda terapêutica da entidade, jovens em acolhimento institucional de diversos municípios paulistas participam de intervenções estruturadas com cães, cavalos, vacas, bois, cabras e porcos — todos animais resgatados que também passaram por processos de cuidado e reabilitação.
Ao contrário de uma recreação livre, cada encontro conta com acompanhamento multidisciplinar e objetivos socioemocionais específicos. Os participantes aprendem a interpretar os sinais corporais dos bichos, a respeitar momentos em que eles aceitam ou recusam aproximação e a exercer pequenas rotinas de cuidado. Essa dinâmica estimula a empatia, o reconhecimento de limites, a previsibilidade e a sensação de segurança.
A psicóloga Laiz Moreno pontua que a inserção em uma nova família não apaga instantaneamente medos e rupturas prévias. O foco do acompanhamento não reside em exigir uma confiança imediata do jovem, mas sim em criar vivências graduais de estabilidade para que novas relações se consolidem sem a constante sensação de ameaça.
Complementando a abordagem, a médica-veterinária Daniela Gurgel, fundadora da entidade, enfatiza que os animais não formulam julgamentos e estabelecem respostas francas às interações humanas. Esse canal sincero atua como ponte para a exteriorização de angústias e sentimentos complexos, como luto, impotência e abandono, que muitas vezes as crianças não conseguem verbalizar diretamente em sessões convencionais.
No panorama brasileiro, o acolhimento institucional reúne cerca de 37 mil jovens, de acordo com o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). Embora o Conselho Nacional de Justiça aponte a existência de aproximadamente 32 mil pretendentes habilitados para cerca de 6 mil disponíveis à adoção, o principal obstáculo para a efetivação dos laços reside na superação das dores emocionais do passado — campo em que a relação terapêutica humano-animal tem proporcionado novos caminhos de esperança e reintegração social.
Fontes: Natureza Conecta (Imagem – divulgação), Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e GBR Comunicação.




