APROVADO PELA ANVISA, PRIMEIRO EXAME DE SANGUE PARA ALZHEIMER CHEGA AO PAÍS

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O diagnóstico do Alzheimer no Brasil atingiu um marco histórico com o início da realização do primeiro exame de sangue aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltado à detecção de biomarcadores da enfermidade neurodegenerativa. A tecnologia foi disponibilizada pioneiramente pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), eliminando a necessidade de envio de amostras biológicas para laboratórios no exterior.

O procedimento dosa no plasma a fosfotau 217 (p-tau217), uma forma modificada da proteína tau que atua como marcador direto do acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro — característica patológica central do Alzheimer. Estudos clínicos internacionais apontam que o método atinge acurácia em torno de 90% a 94%, equivalendo-se à precisão do PET Scan (que pode custar até R$ 10 mil) e da punção lombar do líquor cefalorraquidiano, com a vantagem de não ser um procedimento invasivo.

O avanço surge como uma resposta promissora ao grave cenário de subdiagnóstico no País, onde cerca de 8 em cada 10 pacientes com demência desconhecem sua condição clínica. A Anvisa concedeu registro à plataforma automatizada Lumipulse G pTau (da fabricante Fujirebio) em agosto e, no mês seguinte, à tecnologia Elecsys pTau217 (da Roche Diagnóstica). Hospitais de ponta em São Paulo, como o Einstein, já preparam a inclusão do exame em suas rotinas a partir de novembro, enquanto o Hospital Sírio-Libanês e a BP planejam sua adoção gradual.

Na rede privada, o exame custa em torno de R$ 3,2 mil e ainda não integra a cobertura obrigatória de planos de saúde nem a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Especialistas reforçam categoricamente que o teste não é voltado para triagem de pessoas assintomáticas: ele é estritamente indicado para pacientes com queixas ou comprometimento cognitivo progressivo a partir dos 50 anos, como ferramenta de apoio médico para intervenções terapêuticas precoces.

Fontes: O Estado de S. Paulo / Anvisa / Hospital Moinhos de Vento /Imagem Divulgação