CÂNCER COLORRETAL AVANÇA ENTRE JOVENS E MORTES NO BRASIL PODEM CRESCER 36% ATÉ 2040

Especialistas alertam para o aumento da incidência em pessoas com menos de 50 anos e reforçam a importância do diagnóstico precoce frente ao diagnóstico tardio em 60% dos casos no país
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O câncer colorretal, historicamente associado a pacientes de idade mais avançada, está redesenhando seu perfil epidemiológico. No Brasil, o tumor já é o terceiro tipo mais comum de câncer, com uma estimativa de 45.630 novos casos anuais. Mais alarmante, porém, é a projeção de que a mortalidade pela doença cresça 36% até 2040, impulsionada em parte por um fenômeno que intriga a comunidade médica: o avanço acelerado entre adultos jovens.

Casos recentes de figuras públicas, como os atores James Van Der Beek (48) e Chadwick Boseman (43), além da cantora Preta Gil (50), trouxeram luz a uma realidade que oncologistas enfrentam diariamente nos consultórios. Segundo John Marshall, do Centro Oncológico Lombardi da Universidade de Georgetown, diagnósticos em pessoas na casa dos 20 e 30 anos, antes considerados excepcionais, tornaram-se frequentes.

Diagnóstico tardio e sobrevivência

Um estudo da Fundação do Câncer aponta que mais de 60% dos casos no Brasil são diagnosticados em estágios avançados. Essa demora é crítica para o prognóstico: quando detectado precocemente, com a remoção de pólipos pré-cancerígenos, a taxa de sobrevivência em cinco anos varia entre 80% e 90%. Contudo, se a doença já tiver se espalhado (metástase), esse índice cai drasticamente para cerca de 10% a 15%.

Fatores de risco e novos hábitos

Embora a ciência ainda investigue as causas exatas do aumento precoce — passando por estudos sobre mudanças no microbioma intestinal (disbiose) —, os fatores de risco tradicionais permanecem como os principais vilões. A incidência da doença está intrinsecamente ligada ao estilo de vida:

  • Alimentação: Dietas ricas em ultraprocessados, carne vermelha e carnes processadas, com baixo consumo de frutas e fibras.

  • Sedentarismo: A falta de atividade física é um dos fatores mais citados.

  • Vícios: Tabagismo e consumo de álcool (mesmo em níveis moderados).

  • Condições Clínicas: Obesidade, histórico familiar e doenças inflamatórias intestinais.

Sinais de alerta e prevenção

Especialistas recomendam atenção total a sintomas que, por vezes, são negligenciados por jovens por serem confundidos com problemas digestivos comuns:

  1. Sangue nas fezes ou sangramento retal;

  2. Mudanças persistentes no hábito intestinal (diarreia ou constipação);

  3. Perda de peso involuntária e cólicas abdominais;

  4. Anemia sem causa aparente.

As diretrizes médicas atuais recomendam que adultos com risco médio iniciem os exames de rastreamento, como a colonoscopia ou testes de fezes, aos 45 anos. Para aqueles com histórico familiar ou condições de alto risco, o monitoramento deve começar ainda mais cedo, conforme orientação médica.


Da Redação, com informações da APM – Associação Paulista de Medicina.