MAIO LARANJA EM COTIA: CAMPANHA ALERTA QUE “OUVIR SALVA VIDAS” NO COMBATE AO ABUSO SEXUAL INFANTIL

Com dados alarmantes de três agressões por hora no Brasil, evento no Centro Administrativo destaca sinais de violência, perigos na internet e canais de denúncia
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A cada hora, pelo menos três crianças sofrem algum tipo de abuso no Brasil, uma realidade preocupante que também mobiliza as autoridades locais. Para enfrentar o problema, a Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Cotia promoveu, no saguão do Centro Administrativo de Cotia (CAC), a abertura oficial da programação do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O encontro reuniu a rede de proteção, conselheiras tutelares, assistentes sociais e entidades civis para debater prevenção, acolhimento e denúncias.

A abertura do evento foi marcada pela sensibilidade das crianças e jovens do grupo Guaçatom, projeto musical de Caucaia do Alto sob a regência da maestrina Isa Uheara, que emocionou o público presente.

O Papel da Família e o Círculo de Confiança

Durante a cerimônia, o secretário adjunto de Desenvolvimento Social, José Bertuol, enfatizou o compromisso coletivo com a infância. “Crianças não nascem monstros, nascem anjos e nós estragamos, mas podemos cuidar delas e fazer um mundo melhor”, declarou. Na mesma linha, o presidente da Associação Filantrópica Criança Feliz, Paul Ledergerber, destacou que a formação básica começa no lar, cabendo às instituições colaborar com esse suporte. “A formação das crianças começa em casa. A gente colabora, mas a principal tarefa é da família”, destacou.

O debate trouxe à tona um dado doloroso: a maioria esmagadora dos casos de abuso e exploração sexual ocorre dentro do próprio círculo de confiança das vítimas, praticada por familiares ou pessoas próximas. Isso reforça a necessidade de os responsáveis estarem atentos aos sinais silenciosos emitidos pelas crianças, tais como:

  • Mudanças bruscas de comportamento e isolamento;

  • Distúrbios de sono e alterações na alimentação;

  • Medo excessivo de pessoas específicas;

  • Mudanças repentinas na forma de se vestir.

Perigos no Ambiente Virtual e Limites Corporais

Uma mesa redonda composta pela psicóloga Monalisa Cristina de Oliveira e pelas conselheiras tutelares Maria Cristina, Mara Evangelista, Shirlei Araújo, Camila Alves, Cristiane de Almeida, Josana Silva e Daniele Bretanha alertou para novas modalidades de crime, em especial no ambiente virtual. O grupo ressaltou que muitos pais acreditam que os filhos estão protegidos por estarem trancados no quarto, ignorando que os abusos ocorrem frequentemente por meio de redes sociais, jogos online e aplicativos de mensagens.

As profissionais também orientaram sobre a importância de combater práticas culturalmente normalizadas, como obrigar os filhos a abraçar ou beijar adultos contra a vontade. Ensinar os limites do próprio corpo desde cedo é tido como um passo fundamental de prevenção. “Ouvir salva vidas”, destacou uma das conselheiras, lembrando que a escuta atenta é a ferramenta mais eficaz para identificar traumas antes que eles se agravem.

Rede de Apoio e Como Denunciar

O encontro contou com a presença de lideranças de diversas entidades parceiras, como a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Vivam Arata, além de representantes da Vida Casa de Apoio (Robson Dias), Associação Alfa (Geuza Costa), Criança Feliz (Carmem Lúcia Toledo) e do Centro Profissionalizante Rio Branco – Cepro (Fátima Pina).

A campanha Maio Laranja utiliza a flor amarela como símbolo da fragilidade da infância. As autoridades lembraram que a proteção de menores é um dever constitucional de toda a sociedade, e não apenas dos órgãos públicos. “Não é dever apenas do Conselho Tutelar ou da rede de proteção. É dever de todos nós cuidar das crianças e adolescentes”, reforçaram as participantes do encontro. Casos suspeitos ou confirmados devem ser reportados imediatamente de forma anônima:

  • Disque 100: Direitos Humanos (Nacional);

  • Telefone 153: Guarda Civil Municipal de Cotia;

  • Conselho Tutelar do município.

Fonte e imagem: Secretaria de Comunicação Social de Cotia.