MINISTÉRIO DA SAÚDE SUSPENDE TEMPORARIAMENTE USO DE VACINA DA DENGUE DO BUTANTAN APÓS REAÇÕES ADVERSAS

Medida preventiva foi tomada após a identificação de 42 casos com sinais de alerta, incluindo três episódios graves e dois óbitos em investigação
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O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão, tomada em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem caráter preventivo e visa aprofundar as investigações sobre 42 eventos adversos inesperados e incompatíveis com os resultados reportados nos estudos clínicos do imunizante.

Os episódios identificados pela farmacovigilância representam 0,008% das 501.044 doses aplicadas no país desde janeiro. Entre as notificações, foram registrados três casos graves, incluindo dois óbitos de profissionais de saúde que estão sob análise detalhada. O governo ressalta que ainda não existem dados conclusivos que comprovem o vínculo causal entre as mortes e a vacinação.

Casos em análise e orientações ao público

Os eventos severos que motivaram a paralisação envolveram profissionais de saúde, principal público-alvo da atual etapa de imunização, que também contemplava moradores de 15 a 59 anos em municípios selecionados, como Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e a região de Araguaína (TO).

Os três quadros de maior gravidade detalhados pela pasta foram:

  • Mulher de 48 anos: Desenvolveu sintomas de dengue grave com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após receber a dose, vindo a óbito.

  • Homem de 58 anos: Apresentou febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para um quadro de choque refratário, resultando em óbito.

  • Mulher de 39 anos: Apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a aplicação. Evoluiu com sintomas graves e precisou de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas já recebeu alta hospitalar.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que a medida é estritamente técnica e baseada no protocolo padrão de segurança. Quem já recebeu o imunizante permanece protegido. No entanto, a orientação oficial determina que as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias monitorem o estado de saúde e procurem atendimento médico imediato caso manifestem febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos ou tontura.

Eficácia e continuidade da imunização no SUS

Tanto o Ministério da Saúde quanto a diretoria do Instituto Butantan reforçaram que a suspensão não invalida a eficácia demonstrada pela vacina nos ensaios clínicos, que atingiu 74,7% de proteção geral e 100% de eficácia contra hospitalizações. As doses já distribuídas devem ser mantidas sob refrigeração pelas secretarias locais de saúde até a conclusão do parecer do painel de especialistas que será instalado pela Anvisa.

Enquanto a avaliação da Butantan-DV prossegue sem um prazo final estipulado, o SUS dará continuidade às demais estratégias de imunização e combate ao vetor. A oferta da vacina Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda, segue normalizada na rede pública. O governo prevê a distribuição de 9 milhões de doses deste imunizante entre 2026 e 2027.

Fontes: Gov.Br, Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).