PATENTE DO OZEMPIC EXPIRA NO BRASIL E ABRE CAMINHO PARA VERSÕES MAIS BARATAS

Fim da exclusividade da Novo Nordisk ocorreu nesta sexta-feira (20); Anvisa já analisa 17 pedidos de novos registros, com expectativa de redução de até 50% nos preços a longo prazo.
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O mercado farmacêutico brasileiro atingiu um marco histórico nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, com a expiração da patente da semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy. O fim da exclusividade da fabricante dinamarquesa Novo Nordisk encerra uma batalha judicial e abre as portas para que laboratórios nacionais e estrangeiros comercializem versões genéricas, similares e biossimilares no país.

Atualmente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) possui 17 processos em andamento para novos registros de semaglutida. Destes, oito já estão sob análise técnica e nove aguardam o início do rito regulatório. Entre as empresas que lideram a corrida estão as gigantes brasileiras EMS e Hypera Pharma, além da Biomm e da norte-americana Nexus Pharmaceuticals.

O que muda para o consumidor?

A principal expectativa é a democratização do acesso. Especialistas preveem que os preços, que hoje ultrapassam R$ 1.000,00 por caneta, possam cair cerca de 30% no primeiro ano e chegar a uma redução de 50% a longo prazo, situando-se na faixa de R$ 500,00 a R$ 600,00. Além disso, a queda no custo pode viabilizar a futura incorporação do medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

Desafios técnicos e segurança

Apesar da queda da patente, os novos produtos não chegarão imediatamente às prateleiras. Por ser uma molécula complexa, a Anvisa exige testes rigorosos de bioequivalência e segurança. O desafio é mundial: agências como a FDA (EUA) e EMA (Europa) ainda tratam os análogos sintéticos da semaglutida com cautela devido ao risco de reações imunes e impurezas químicas.

A agência brasileira deve emitir pareceres sobre a maior parte dos pedidos atuais até o final de abril, mas reforça que o cumprimento de exigências técnicas pelas empresas é fundamental para a liberação final.

Fontes: Anvisa, Guia da Farmácia, Agência Gov.