DIA DO MOTOCICLISTA: OS PERIGOS DO ASFALTO E A URGÊNCIA DA SEGURANÇA PARA UMA CATEGORIA CRESCENTE

Aumento de acidentes fatais é preocupante – e a motocicleta consolidou-se como o meio de transporte mais perigosos nas grandes cidades e rodovias.
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No Dia do Motociclista – 27 de julho –  celebramos a paixão pela liberdade sobre duas rodas, mas é impossível ignorar a dura realidade que muitos enfrentam diariamente: o aumento alarmante de acidentes fatais. A motocicleta consolidou-se como o meio de transporte mais perigoso nas grandes cidades, e os números recentes em São Paulo acendem um alerta urgente para a segurança desses profissionais e entusiastas.

Na mesma proporção, os números repetem-se em grandes cidades e rodovias.

Dados do Detran-SP, analisados pelo DeltaFolha, revelam uma tendência preocupante. Nos últimos dez anos, a participação de motociclistas nas mortes no trânsito da capital paulista saltou de 32% para impressionantes 47%. Em 2024, foram registradas 485 mortes de motociclistas, o maior número desde 2015, representando um crescimento de 20,6% em relação a 2023, enquanto o total de acidentes fatais aumentou 11,3%.

Causas e Consequências do Risco Elevado

Desde 2018, as motos ultrapassaram os pedestres como as principais vítimas de acidentes fatais, e o perfil das vítimas mudou: agora são principalmente motociclistas com até 30 anos em colisões com outros veículos.

Gilberto Almeida dos Santos, presidente do Sindimoto (Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxista Intermunicipal do Estado de São Paulo), ouvido pela Folha de S. Paulo,  aponta que a baixa proteção oferecida pela moto, somada ao uso como instrumento de trabalho e à desregulação do mercado, contribuem diretamente para o aumento do risco. A necessidade de velocidade para cumprir prazos, a imprudência de alguns motociclistas e o uso de celular enquanto pilotam para atender a corridas são fatores que elevam ainda mais o perigo.

O ano de 2024 também registrou o maior índice de probabilidade de um acidente fatal em relação à frota de motos: 8,4 mortes para cada 100 mil motos, um aumento significativo em comparação a 2016 (6,8).

Crescimento e Diversificação do Perfil do Motociclista

Apesar dos riscos, o uso da motocicleta como meio de transporte e ferramenta de trabalho continua crescendo. Um levantamento da Omni&Co, ecossistema de soluções financeiras, revela o perfil de quem está comprando motos no Brasil.

O estudo aponta uma presença feminina crescente no financiamento de motos, com 29,5% das compras realizadas por mulheres. “Vemos muitas mulheres apostando nas motos, seja para facilitar o deslocamento no seu dia a dia ou como um instrumento de trabalho”, analisa Heverton Peixoto, CEO da Omni&Co. Em 2024, 86% dos clientes de financiamento de motos eram novos, e a participação feminina na categoria tem sido cada vez mais expressiva.

Além disso, jovens lideram o ranking de compra de motos, com 30,4% dos clientes com até 25 anos. O perfil educacional desses compradores mostra que 74% possuem o 1º grau completo.

Segurança em Primeiro Lugar

No Dia do Motociclista, é crucial reforçar a importância da segurança. Seja para trabalho ou lazer, a conscientização sobre os riscos, a condução defensiva e o respeito às leis de trânsito são fundamentais. Para os órgãos públicos, o desafio é criar políticas eficazes que protejam essa categoria, que é vital para o funcionamento de cidades como São Paulo.

(Da redação, com dados da Folha de S. Paulo e Omni&Co. Imagem criada por I.A.)