OBESIDADE INFANTIL: O ALERTA SOBRE OS RISCOS E A RESPOSTA DA SAÚDE PÚBLICA

Uma das formas de combater a obesidade: comida saudável e atividades ao ar livre
O recente Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, jogou luz sobre uma crise de saúde crescente no Brasil: a obesidade infantil. Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2014 e 2024, o número de crianças diagnosticadas com a condição quase triplicou. Mais do que uma questão de peso, o quadro envolve graves desequilíbrios hormonais que podem antecipar a puberdade e aumentar drasticamente o risco de doenças crônicas, exigindo uma ação integrada entre famílias e o Sistema Único de Saúde (SUS).
Os Impactos Hormonais e Riscos Futuros
A endocrinologista Alessandra Rascovski, diretora clínica da Atma Soma, explica que o excesso de peso na infância não é inofensivo. “A obesidade provoca desequilíbrios importantes, como resistência à insulina, aumento da leptina e alterações nos níveis de IGF-1. Esses fatores podem antecipar a puberdade, acelerar a maturação óssea e comprometer a altura final”, afirma.
Essas alterações fazem com que crianças obesas cresçam mais rápido no início, mas parem de crescer mais cedo. A longo prazo, elas têm um risco muito maior de se tornarem adultos obesos, o que multiplica as chances de desenvolverem hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até mesmo alguns tipos de câncer.
Uma Questão Complexa e Multifatorial
O Ministério da Saúde ressalta que a obesidade não pode ser reduzida a uma falha individual. Trata-se de um problema complexo que envolve fatores biológicos, genéticos, ambientais e, crucialmente, desigualdades sociais e econômicas.
Kelly Alves, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do ministério, alerta que barreiras estruturais dificultam a adoção de uma rotina saudável. “Essa questão está ligada às condições de vida da população. Muitas vezes, os alimentos ultraprocessados custam menos. Além disso, a falta de tempo, com longos deslocamentos para o trabalho e a escola, reduz o tempo disponível para planejar e preparar refeições”, explica.
A Dupla Abordagem: Prevenção em Casa e Ações do SUS
O combate à obesidade exige uma frente de atuação dupla: a promoção de hábitos saudáveis no ambiente familiar e o suporte de políticas públicas robustas.
No âmbito familiar, as recomendações incluem:
- Alimentação: Priorizar alimentos in natura e minimamente processados, seguindo a máxima de “descascar mais e desembalar menos”. Realizar refeições em família e sem a distração de telas ajuda na autorregulação da fome.
- Atividade Física: A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a intensa para crianças e adolescentes.
No setor público, o SUS atua em várias frentes:
- Atenção Primária: As Unidades Básicas de Saúde são a porta de entrada para o diagnóstico, acompanhamento e orientação. O número de atendimentos relacionados à obesidade no SUS cresceu de 6,2 milhões em 2022 para 7,8 milhões em 2024.
- Ações Estruturantes: O Ministério da Saúde promove repasses financeiros a municípios, qualificação de profissionais e programas como o Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), que incentiva a alimentação saudável desde os primeiros meses de vida.
- Políticas Intersetoriais: O governo articula ações com outros ministérios, como o Programa Saúde na Escola (MEC), o Bolsa Família (MDS) e debates na reforma tributária (Fazenda) para reduzir impostos sobre alimentos saudáveis e incentivar a agricultura familiar.
Investir na prevenção e no cuidado desde a infância é a estratégia mais eficaz para garantir que a atual geração cresça com saúde, qualidade de vida e autonomia, quebrando um ciclo que ameaça o futuro do país. (Da redação, com informações do Ministério da Saúde e Atma. Imagem gerada por I.A.)





