METRÔ EM COTIA: SONDAGENS DE SOLO MARCAM INÍCIO DOS TRABALHOS DA LINHA 22-MARROM

Técnicos contratados pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) iniciaram oficialmente a sondagem de solo no município para a futura Linha 22-Marrom. A primeira perfuração de campo ocorreu em uma área do estacionamento do Complexo do Ginásio de Esportes. O procedimento técnico é fundamental para determinar as características geológicas do terreno e coletar as informações necessárias para subsidiar as próximas fases de elaboração da engenharia do ramal.
Ao todo, estão autorizados levantamentos em 40 locais diferentes espalhados por Cotia, os quais serão realizados ao longo dos próximos meses como parte de uma série de investigações que vão cobrir todo o trajeto programado.
A perfuração inicial no Ginásio de Esportes tem profundidade prevista de aproximadamente 27 metros — embora outros pontos de amostragem possam alcançar profundidades superiores. O local exato monitorado nesta primeira etapa poderá abrigar, futuramente, uma estrutura de Ventilação e Saída de Emergência (VSE), equipamento indispensável para assegurar a renovação de ar e rotas de fuga seguras aos passageiros nos túneis.
Conduzida em campo pela empresa FG Moretti, a amostragem em Cotia consiste na retirada de fragmentos profundos de solo para identificar se o subsolo local é composto predominantemente por areia, argila ou rocha. Todo o material coletado é encaminhado para análises em laboratório. Diante do mapeamento geotécnico, os engenheiros conseguem calibrar o peso, as dimensões e o tipo de tecnologia das máquinas escavadoras conhecidas como “tatuzões”, ajustando os projetos em tempo hábil para garantir o menor custo, segurança estrutural máxima e melhor desempenho operacional.
Toda a extensão da Linha 22-Marrom será 100% subterrânea.
O projeto completo prevê uma extensão operacional em torno de 29,75 a 31,32 quilômetros, contendo 19 estações subterrâneas no total. A cidade de Cotia abrigará um total de sete dessas estações, distribuídas estrategicamente entre o centro do município e a região da Granja Viana.
O traçado se estenderá do Terminal Cotia até a Estação Sumaré, cruzando também o município de Osasco. Trata-se de uma intervenção de alta capacidade desenhada para aliviar o tráfego saturado da Rodovia Raposo Tavares, com projeção para atender cerca de 678 mil passageiros diariamente e reduzir o tempo de deslocamento de ponta a ponta para apenas 42 minutos.
Para viabilizar a implantação, o planejamento técnico do Metrô dividiu o cronograma em duas grandes frentes de obras independentes.
A Fase I abrangerá o trecho entre Sumaré e Cotia (na altura do Km 26 da rodovia), setor que concentrará o maior volume de extensão e será inteiramente escavado de forma mecanizada por meio de três tuneladoras de grande porte (“tatuzões”), com o propósito de blindar a superfície de impactos urbanos graves.
Por sua vez, a Fase II ligará o Km 26 até o Terminal Cotia, alcançando a região central. Neste último segmento, o método adotado será o NATM (escavação convencional), escolha técnica motivada pelas restrições e particularidades geológicas específicas da área.
Em termos de andamento burocrático e governança, o projeto superou etapas importantes recentemente. O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) foram aprovados por unanimidade pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).
Em paralelo, a Licença Ambiental Prévia já foi requerida junto à Cetesb, e o Metrô publicou os editais visando à contratação do Projeto Básico de engenharia e arquitetura. Os grandes projetos de infraestrutura cumprem três ciclos: o Projeto Funcional (já concluído), o Projeto Básico (fase atual de refinamento e contratação) e o Projeto Executivo (guia definitivo para o início dos canteiros de obras).
A modelagem financeira e os planos de viabilidade econômica estão a cargo da International Finance Corporation (IFC), instituição vinculada ao Banco Mundial, uma vez que a Linha 22-Marrom está qualificada para ser concedida à iniciativa privada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP).
O orçamento preliminar estimado apenas para as frentes de obras civis, infraestrutura de base e sistemas tecnológicos é de R$ 8,1 bilhões. Devido à magnitude das fases de licenciamento prévio e consolidação estrutural, o horizonte estimado para o desenvolvimento pleno e entrega total do ramal gira em torno de 11 anos, situando a previsão de inauguração entre os anos de 2032 e 2036.
Quando inaugurada, a linha propiciará conexões diretas e estratégicas com a Linha 9-Esmeralda (Hebraica-Rebouças), Linha 4-Amarela (Faria Lima) e com a futura Linha 20-Rosa (Cardeal Arcoverde). O próximo passo relevante do cronograma incluirá a realização de audiências públicas com a população no segundo semestre.
Fontes: Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), Secretaria dos Transportes Metropolitanos e SCS da Prefeitura de Cotia. Imagem: Juliano Barbosa





