ENCONTRO “XÔ SOLIDÃO” CELEBRA O DIA DA LUTA PCD EM COTIA COM RELATOS DE SUPERAÇÃO E LANÇAMENTO DE CARTILHA INCLUSIVA DO CIOESTE

Histórias de superação, autonomia e combate ao capacitismo marcaram o encontro “Xô Solidão: Nossas Vozes, Nossas Histórias”, realizado em Cotia para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro). A iniciativa foi organizada pelo Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDDPcD) em parceria com a Secretaria Municipal das Mulheres, Direitos Humanos e Neurodiversidade.
O evento proporcionou um espaço de protagonismo e escuta direta para pessoas com deficiência e suas famílias, além de servir de palco para o lançamento oficial da Cartilha de Atendimento e Comunicação Inclusiva do Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (Cioeste).
HISTÓRIAS DE AUTONOMIA E LUTA CONTRA O ISOLAMENTO
A abertura dos depoimentos contou com a presidente do CMDDPcD de Cotia e integrante do Conselho Estadual, Camila Indalécio Pereira. Diagnosticada com síndrome de Usher — doença genética e degenerativa que causa a perda progressiva da audição e da visão —, Camila compartilhou sua trajetória como mulher surdocega. Para se comunicar, ela utiliza o método Tadoma, técnica tátil que permite perceber e compreender a fala por meio do toque e da vibração muscular da boca e garganta do interlocutor.
Camila destacou que a falta de acessibilidade urbana ainda empurra muitas pessoas para o isolamento em Cotia:
“Tem muitas pessoas com deficiência na cidade de Cotia que estão isoladas. Ainda temos muito a trabalhar na ampliação da acessibilidade no transporte, no esporte, na cultura e em todos os espaços públicos. Se hoje este conselho está de pé, é pela união de todos. Ainda temos muito a conquistar nessa cidade”, reforçou a conselheira, que integra o colegiado desde 2018. Como medida prática de acessibilidade, as reuniões do conselho já ocorrem em formato virtual para permitir a participação de pessoas com dificuldades severas de locomoção.
O encontro reuniu relatos emocionantes de diferentes gerações:
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Suzana Clini Silva (18 anos): Jovem com síndrome de Down, estuda inglês e pratica dança. Ao lado da mãe, Simone Clini, defendeu a criação de mais projetos de lazer, cultura e convivência pública voltados a jovens com deficiência em Cotia.
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Vinicius Henrique Ferreira de Melo (6 anos): O menino, que tem acondroplasia (a forma mais comum de nanismo), compareceu acompanhado da mãe, Érica. Ela relatou a rotina de desenvolvimento, as sessões fonoaudiológicas no Centro de Formação Profissional e Reabilitação (CEFOR) e a emoção de ter ouvido o filho falar “mãe” após dois anos de acompanhamento e espera.
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Arthur Henrique de Morais (19 anos): Autista e estudante de Ciência de Dados na Fatec, apaixonado por tecnologia e estudante de japonês, participou por vídeo. Sua mãe, Ana Moraes, ressaltou a importância do acolhimento mútuo entre famílias atípicas para transformar jornadas solitárias em caminhos coletivos de apoio.
CARTILHA DE COMUNICAÇÃO INCLUSIVA DO CIOESTE
Durante o encontro, foi lançada a Cartilha de Atendimento e Comunicação Inclusiva do Cioeste, desenvolvida pelo Grupo de Trabalho de Políticas para Pessoas com Deficiência do consórcio regional, com contribuição direta de representantes técnicos de Cotia e revisão da pasta municipal de Direitos Humanos e Neurodiversidade.
O documento foi formulado para guiar o poder público e a iniciativa privada sobre condutas respeitosas, acessibilidade na linguagem, eliminação de barreiras atitudinais e acolhimento nos serviços essenciais.
A vice-presidente da Câmara Técnica da Pessoa com Deficiência do Cioeste, Solange Aroeira, enfatizou que acolher é um ato diário:
“Ninguém deveria lutar sozinho. Uma pessoa pode ter muita força, mas não deveria precisar ser forte o tempo todo e sozinha.”
A vice-presidente do CMDDPcD e fonoaudióloga de reabilitação, Luciana Raposo, complementou pontuando que a acessibilidade plena exige respeito à cidadania:
“Incluir não é só permitir acesso, mas dar dignidade.”
O painel contou também com a participação de Nilda Aguiar, presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB local, que detalhou os mecanismos legais existentes e os desafios cotidianos para fazer valer os direitos previstos em lei.
(Fonte: SCS da Prefeitura de Cotia. Imagem Juliano Barbosa)

