TEMPORADA DE REPRODUÇÃO DOS SARUÊS EXIGE ATENÇÃO E CUIDADO

Entre setembro e março, fêmeas com filhotes tornam-se presas fáceis para cães e alvos de maus-tratos; marsupiais são aliados no controle de escorpiões, cobras e pragas urbanas
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Entre os meses de setembro e março, as cidades da Grande São Paulo e áreas de transição florestal registram um aumento substancial na circulação do gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), popularmente conhecido como saruê. Esse intervalo corresponde ao pico reprodutivo da espécie, época em que as fêmeas circulam com maior frequência em quintais, copas de árvores e forros de residências para buscar alimento e proteger suas crias.

Por serem mamíferos marsupiais — parentes dos coalas e cangurus —, os filhotes de saruê completam seu desenvolvimento dentro do marsúpio, a bolsa ventral da mãe. Quando crescem, passam a se agarrar às costas da fêmea até que tenham condições de subsistir sozinhos. Carregando peso adicional, as mães ficam mais lentas e vulneráveis, tornando-se vítimas frequentes de ataques por cães domésticos, atropelamentos viários ou agressões humanas motivadas por preconceito e desinformação.

Aliados indispensáveis do ecossistema e do controle biológico

Diferente do mito popular que os associa a roedores transmissores de doenças ou a pragas urbanas, os gambás exercem papel de saneadores biológicos. Trata-se de animais onívoros que atuam ativamente na dispersão de sementes nativas e na redução de animais peçonhentos e vetores nocivos à saúde humana:

  • Controle de escorpiões e aranhas: Insetos, escorpiões e aracnídeos compõem parte essencial de sua dieta regular.

  • Resistência a venenos: Estudos de centros biomédicos comprovam que os gambás possuem imunidade natural ao veneno de serpentes do gênero Bothrops (como as jararacas), alimentando-se dessas cobras sem risco de intoxicação.

  • Predação de ratos e carrapatos: Consomem roedores sinantrópicos e milhares de ectoparasitas durante a própria limpeza corporal, quebrando ciclos de enfermidades no ambiente urbano.

Maus-tratos, perseguição ou eliminação deliberada de animais silvestres constituem crime ambiental previsto no artigo 29 da Lei Federal nº 9.605/1998, sujeito a detenção e aplicação de penalidades administrativas e multas.

O que fazer ao encontrar um saruê e canais de socorro

Ao avistar um gambá saudável em telhados ou árvores, a recomendação dos biólogos é deixá-lo seguir caminho naturalmente, mantendo cães e gatos sob vigilância temporária para evitar acidentes.

Caso o animal esteja ferido, acuado, eletrocutado ou se trate de uma fêmea morta com filhotes vivos na bolsa marsupial ou no dorso, a orientação é não manusear sem proteção e acionar prontamente os órgãos de resgate ambiental:

  • Divisão da Fauna Silvestre (SVMA/São Paulo): Telefone (11) 3885-6669 | WhatsApp (11) 95220-0219

  • GCM Ambiental: Telefone 153

  • Região metropolitana (Cotia e municípios vizinhos): Acionar o Pelotão Ambiental da Guarda Civil Municipal pelo 153 ou a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

Os espécimes resgatados são encaminhados a centros de triagem e hospitais veterinários da fauna silvestre, onde recebem tratamento especializado para posterior reabilitação e soltura em fragmentos preservados de Mata Atlântica.

Fontes: Divisão da Fauna Silvestre da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo (SVMA), Instituto Butantan e Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).