TRANSPORTE: PASSAGEM REAL É DE R$ 7,50 PARA TODOS E PREFEITURA SUBSIDIA A DIFERENÇA

"Tarifa técnica" nada mais é do que o preço real da tarifa. Se a prefeitura deixar de subsidiar, o aumento da passagem irá para R$ 7,50 imediatamente, já que é esse o valor fixado pela Prefeitura.
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Cotiatododia, 02/07/26

A Prefeitura de Cotia informou, nesta quinta-feira (02/07/2026) – acesse clicando aqjui: Entenda como funciona o custeio do transporte público em Cotia – Prefeitura de Cotia), que o custo operacional das viagens de ônibus municipais foi atualizado para R$ 7,50.

Embora o valor cobrado na catraca permaneça em R$ 5,30 para o passageiro comum, a nova configuração deixa claro: a “tarifa técnica” — o valor real do serviço — subiu. A diferença de R$ 2,20 por viagem está sendo coberta por subsídio público, pago com recursos do orçamento municipal.

O que o discurso oficial tenta suavizar

Ao divulgar que o custo operacional é de R$ 7,50, a administração municipal evita usar o termo “aumento da passagem”. No entanto, a matemática é irrefutável: o custo para manter o sistema rodando subiu. A Prefeitura decidiu, neste momento, atuar como um “amortecedor” financeiro, pagando R$ 2,20 à concessionária por cada passageiro transportado para que o usuário não sinta o peso do reajuste imediato.

O risco do subsídio

É fundamental que o cidadão de Cotia compreenda a fragilidade dessa estrutura. O subsídio não é um desconto perene, mas uma decisão política temporária. Se o município decidir retirar ou reduzir esse aporte de R$ 2,20, o impacto no bolso do usuário será imediato: a passagem saltará dos atuais R$ 5,30 para os R$ 7,50 definidos pela própria administração.

Sem o aporte estatal, ou o custo será repassado integralmente ao passageiro, ou o serviço sofrerá cortes drásticos de qualidade, como a redução de horários e a precarização da frota.

Vale-transporte e cobrança indevida

A mudança já é sentida pelas empresas da região. Desde o dia 1º de julho, o vale-transporte é calculado com base no valor real de R$ 7,50. A Prefeitura esclarece que o desconto no salário do trabalhador permanece limitado pela legislação federal, cabendo ao empregador arcar com a diferença do valor operacional.

O processo de transição, contudo, revelou falhas. No último dia 14, diversos usuários foram surpreendidos com débitos indevidos de R$ 7,50 em seus cartões de vale-transporte. A Prefeitura notificou a concessionária, exigindo o reembolso dos valores cobrados incorretamente.

Resumo da operação atual:

  • Valor na Catraca: R$ 5,30 (subsidiado).
  • Custo Real da Viagem: R$ 7,50 (valor fixado pela Prefeitura).
  • Subsídio Público: R$ 2,20 por passageiro (custo arcado pelo orçamento municipal).
  • Tarifa Zero: Mantida aos domingos.

Para o cidadão, o serviço continua custando R$ 5,30, mas a transparência dos números revela que a tarifa só permanece neste patamar enquanto o cofre público puder (ou quiser) sustentar a diferença. O passageiro, portanto, é agora um refém direto da manutenção dessa política de subsídios.

(Da redação. Imagem: Juliano Barbosa)