CÂMERAS NA RAPOSO COMEÇAM A MULTAR CELULAR AO VOLANTE E FALTA DE CINTO A PARTIR DE SEGUNDA, 3/8.

A partir de segunda-feira, dia 3 de agosto, entram em operação oficial as novas câmeras dotadas de inteligência artificial na Rodovia Raposo Tavares, no trecho da capital paulista. Os novos equipamentos de fiscalização estão instalados estrategicamente no Km 17, no sentido interior, e no Km 18, no sentido capital. A medida visa coibir condutas perigosas e aumentar a segurança de motoristas e pedestres que circulam diariamente pela via.
As câmeras foram projetadas para autuar duas infrações específicas: o uso de celular ao volante e a falta do cinto de segurança por parte de motoristas e passageiros. O sistema utiliza recursos avançados de processamento de imagem em alta resolução para capturar possíveis irregularidades no interior dos veículos. O processo de autuação conta com uma etapa de verificação humana: as imagens pré-selecionadas pela inteligência artificial são encaminhadas para validação de um policial militar rodoviário antes da emissão oficial da multa.
Durante a fase de testes realizada no local ao longo de 72 horas, os dispositivos registraram quase 1.000 infrações. Do total de flagrantes computados, 40% correspondem a passageiros sem o cinto de segurança, 30% a motoristas sem o cinto e 30% a condutores utilizando o telefone celular enquanto dirigiam.
Entenda os enquadramentos e penalidades
As penalidades para o não uso do cinto de segurança e para o manuseio do celular seguem o estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A ausência do cinto de segurança é classificada como infração grave, com multa no valor de R$ 195,23 e 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Já o uso do telefone celular ao conduzir o veículo pode acarretar três enquadramentos distintos segundo o CTB:
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Dirigir utilizando o celular (falando, inclusive com uso de fones de ouvido): infração média, com penalidade de R$ 130,16 e 4 pontos na CNH;
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Dirigir segurando o celular (mantendo o aparelho em uma das mãos): infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH;
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Dirigir manuseando o celular (teclando ou digitando mensagens): infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH.
Dados do Detran-SP mostram uma queda de 18,6% no total de multas aplicadas pelo uso de celular no Estado de São Paulo no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. No primeiro semestre de 2025, foram registradas 14.947 autuações por “utilizar”, 18.532 por “segurar” e 93.953 por “manusear” o aparelho. No primeiro semestre de 2026, os números caíram para 12.016 (utilizar), 14.885 (segurar) e 76.762 (manusear).
Riscos à segurança viária
O uso de dispositivos móveis na direção é apontado por especialistas como um dos principais fatores de risco no trânsito. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso do celular ao volante eleva em 400% o risco de acidentes, apresentando nível de perigo comparável à condução sob o efeito de álcool.
Estudos da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) indicam que digitar uma mensagem ao dirigir a 80 km/h equivale a percorrer até 100 metros com os olhos completamente vendados. Além disso, levantamento da instituição inglesa RAC Foundation aponta que o envio de mensagens de texto pode retardar o tempo de reação do condutor em até 35%.
Como funcionam os semáforos inteligentes
A implementação das câmeras de inteligência artificial integra um plano mais amplo de modernização tecnológica da infraestrutura viária, que inclui também o funcionamento dos chamados semáforos inteligentes (ou atuados pelo tráfego).
Diferente dos semáforos convencionais, que operam com tempos fixos de luz verde e vermelha programados previamente, os semáforos inteligentes adaptam seus ciclos em tempo real conforme o volume de veículos presente na via. O sistema funciona através de uma rede integrada de componentes:
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Sensores de detecção: São instalados na via pública por meio de laços inductivos (fios embutidos no asfalto) ou câmeras de visão computacional posicionadas nos cruzamentos. Esses sensores identificam a quantidade de veículos se aproximando e o tamanho das filas formadas.
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Processamento de dados: As informações captadas pelos sensores são enviadas instantaneamente para uma central de controle ou processadas diretamente por controladores locais equipados com algoritmos de tráfego.
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Ajuste dinâmico dos tempos: O software analisa a demanda de cada aproximação do cruzamento e ajusta a duração da luz verde para dar prioridade aos fluxos mais carregados. Se uma via secundária não apresentar veículos aguardando, o sistema prolonga o sinal verde para a via principal, reduzindo paradas desnecessárias.
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Onda verde automatizada: Quando interconectados ao longo de um corredor viário, esses semáforos se comunicam entre si para criar a chamada “onda verde”, sincronizando os tempos de abertura para permitir que os veículos trafeguem em velocidade constante sem interrupções frequentes.
A adoção de tecnologias de monitoramento e controle inteligente busca otimizar a fluidez nas vias de grande circulação, reduzir os tempos de deslocamento e mitigar os riscos de colisões em pontos de alta densidade de tráfego.
Fontes: Detran-SP, Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Organização Mundial da Saúde (OMS), Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e RAC Foundation. Imagem gerada por I.A.




